Esse post poderia ter se originado igualmente a todos os outros: meus pensamentos loucos traduzidos em palavras e transcritos para um arquivo doc intitulado “Ela já sabia o que vinha...”, enviado pela garota da quinta e que eu havia apagado para copiar os meus pensamentos loucos traduzidos em palavras, no meu blackberry.
Poderia. Do verbo não posso mais. Em vez disso, esse texto que vos escrevo foi rascunhado à moda antiga: com uma caneta esferográfica azul em uma página do meu antigo caderno, na disciplina de Aconselhamento Psicológico II.
Tudo isso porque dos “e se” da vida, eu escolhi um que me levou a ser vítima de uma quadrilha que assalta ônibus. Pra quem leva a casa na bolsa igual a mim, ter a mesma roubada é quase como perder o chão... dá uma sensação de vazio ver tudo o que é seu, incluindo seu suado dinheiro, indo embora por um cara com um revolver na mão. Dá um vazio e medo. E sensação de impotência.
Colocando em suspenso o fato em sim, parei para analisar os pensamentos que me sucederam quando do acontecido. Pensamentos esses que poderiam ser traduzidos em palavras e transcritos de imediato no arquivo doc intitulado “Ela já sabia o que vinha...”, enviado pela garota da quinta e que eu havia apagado para copiar os meus pensamentos loucos traduzidos em palavras, no meu blackberry.
Pensei em todos os “e se”. E se eu não estivesse dentro daquele ônibus? E se eu não tivesse corrido para pegá-lo? E se eu não tivesse ido ao banheiro antes de sair da universidade? E se eu tivesse ficado em casa assistindo sessão da tarde em vez de ter saído às 12:45h, pego o ônibus, sentado no penúltimo banco, descido do lado de fora do terminal de integração, pego o CAMPUS lotadíssimo, ter sido espremida contra a barra e até ter gostado disso por ter estalado minha coluna, ter assistido 4 horários da mesma disciplina, ter pendurado o cartaz com as regras de convivência, ter jantado no RU com meus amigos, ter ficado na ágora, tomado um copo de ponche? E se? E se? E se?
Será que com algum desses “e se” eu estaria hoje rindo das bobagens que a garota da quinta me manda pelo whatsapp como é de praxe ou eu ainda estaria me lamentando por ter perdido absolutamente todos os meus documentos, celulares, maquiagem??
E se o assaltante atirasse? E se tivesse me batido? E se? E se? E se?
Felizmente os meus “e se” e as consequência deles ficam só no meu imaginário. O que aconteceu, aconteceu. Não volta. O fato em si, quero dizer, porque o medo, a sensação de impotência e a revolta voltam com uma frequência assustadora. Mas fica também a sensação de agradecimento a Deus. Estou viva. Vos escrevo. Mesmo que o rascunho tenha sido feito à moda antiga com uma caneta esferográfica azul em uma página do meu antigo caderno, na disciplina de Aconselhamento Psicológico II em vez de meus pensamentos loucos terem sido traduzidos em palavras e transcritos para um arquivo doc intitulado “Ela já sabia o que vinha...”, enviado pela garota da quinta e que eu havia apagado para copiar os meus pensamentos loucos traduzidos em palavras, no meu blackberry.
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