Eita, terça-feira! Chegou danada, cheia de coisas. Chegou até com um
pouco de saudade, sei lá de que... e é por isso que, atrasada, mas não tarde
demais (espero), vim contar uma coisa pra vocês. Quem o conhece, ou conheceu
vai entender perfeitamente, tenho certeza.
Tenho uma coisa, er, digamos, 'estranha'. Eu me apego a personagens,
todos eles. A alguns, mais que a outros. A este, mais que a muitos. Dele eu
realmente sinto falta como de um amigo... o nome disso, gente? Doidice, só
pode. MAS ENFIM! Fazer o que? Escrever sobre ele. :3
No mais, queridos, até terça. ;)
Kvothe - O Nome do Vento
Seria o fim, certeza. Ela sentia a notícia nos arrepios que
lhe corriam a espinha a cada página virada. Havia menos folhas pela frente e
ventava forte. Apanhava do vento, ou era assim que se sentia, pelo menos. Apanhava
das palavras gastas e relidas que segurava entre os dedos trêmulos e sua
respiração irregular.
Havia desolação por todo o quarto: nas roupas sujas, nos
papéis desarrumados, nas lembranças tantas que pretendia ainda enterrar, junto
com outras tantas que ainda viriam. Via restos seus por todo canto. Via restos
dele. Praticamente ouvia sua voz, cantando contra o vento, descobrindo o nome
das coisas, sendo, sem pressão nenhuma, seu amigo a qualquer custo.
Lembrava dos olhos dele, que nunca realmente vira. Aqueles olhos
significavam inocência, tenacidade, cuidado. Tudo ao mesmo tempo. Tudo nele,
só. Tudo nela, por causa dele. Tudo nela era as conversas que tiveram, ao pé do
salgueiro. Tudo nela era sua música, as coisas que queria tanto contar. Tudo
neles era um reconhecimento mútuo de não pertencerem a lugar nenhum. Não
esperavam nada um do outro, absolutamente. Só existiam. Só isso, cada um no seu
universo.
Mas agora, ela olhava seus pés, que há tão pouco tempo haviam
se aventurado. Mas os calos que hoje via eram só de cansaço, de saudade. De um
lugar onde os verbos hoje se conjugam no passado, de um lugar que ela amou.
O vento lhe soprava coisas aos ouvidos, coisas lindas, coisas
febris, praticamente uma canção de viajantes e de carroças ao pé do fogo. Fogo
da cor do cabelo dele... na mente dela, uma imagem só, além do que restava dela
pelo chão: a imagem dele, cabelos ao vento, caminhando resoluto, sem olhar pra
trás.
Ela notava os rasgos na capa de viagem que caia desarrumada
sobre aqueles ombros onde havia chorado tantas vezes, aonde será que iria,
agora, sem ela? Com quem conversaria? A quem contaria sua vida? E ela...
ouviria no vento alguma coisa?
Muitas interrogações, nenhuma resposta. Só suspiros. Só
arrepios. Só os nomes dele. Sim, porque são vários. E de muitos outros que
virão ela nem será sabedora.
Ela vai continuar do lado de fora do livro que acabou de ler.
Ele, lindo, vivo, apaixonado, do lado de lá vai continuar vivendo nos sonhos de
outros que o lerem.
Mas pra ela, ele continuará tão real e presente como sua
sombra. Ou talvez não, já que hoje ele vive dentro dela. Pra sempre.

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