terça-feira, 17 de setembro de 2013

Kvothe, ou Como Queira

Eita, terça-feira! Chegou danada, cheia de coisas. Chegou até com um pouco de saudade, sei lá de que... e é por isso que, atrasada, mas não tarde demais (espero), vim contar uma coisa pra vocês. Quem o conhece, ou conheceu vai entender perfeitamente, tenho certeza. 

Tenho uma coisa, er, digamos, 'estranha'. Eu me apego a personagens, todos eles. A alguns, mais que a outros. A este, mais que a muitos. Dele eu realmente sinto falta como de um amigo... o nome disso, gente? Doidice, só pode. MAS ENFIM! Fazer o que? Escrever sobre ele. :3

No mais, queridos, até terça. ;)

Kvothe - O Nome do Vento

Seria o fim, certeza. Ela sentia a notícia nos arrepios que lhe corriam a espinha a cada página virada. Havia menos folhas pela frente e ventava forte. Apanhava do vento, ou era assim que se sentia, pelo menos. Apanhava das palavras gastas e relidas que segurava entre os dedos trêmulos e sua respiração irregular.

Havia desolação por todo o quarto: nas roupas sujas, nos papéis desarrumados, nas lembranças tantas que pretendia ainda enterrar, junto com outras tantas que ainda viriam. Via restos seus por todo canto. Via restos dele. Praticamente ouvia sua voz, cantando contra o vento, descobrindo o nome das coisas, sendo, sem pressão nenhuma, seu amigo a qualquer custo.

Lembrava dos olhos dele, que nunca realmente vira. Aqueles olhos significavam inocência, tenacidade, cuidado. Tudo ao mesmo tempo. Tudo nele, só. Tudo nela, por causa dele. Tudo nela era as conversas que tiveram, ao pé do salgueiro. Tudo nela era sua música, as coisas que queria tanto contar. Tudo neles era um reconhecimento mútuo de não pertencerem a lugar nenhum. Não esperavam nada um do outro, absolutamente. Só existiam. Só isso, cada um no seu universo.

Mas agora, ela olhava seus pés, que há tão pouco tempo haviam se aventurado. Mas os calos que hoje via eram só de cansaço, de saudade. De um lugar onde os verbos hoje se conjugam no passado, de um lugar que ela amou.

O vento lhe soprava coisas aos ouvidos, coisas lindas, coisas febris, praticamente uma canção de viajantes e de carroças ao pé do fogo. Fogo da cor do cabelo dele... na mente dela, uma imagem só, além do que restava dela pelo chão: a imagem dele, cabelos ao vento, caminhando resoluto, sem olhar pra trás.

Ela notava os rasgos na capa de viagem que caia desarrumada sobre aqueles ombros onde havia chorado tantas vezes, aonde será que iria, agora, sem ela? Com quem conversaria? A quem contaria sua vida? E ela... ouviria no vento alguma coisa?

Muitas interrogações, nenhuma resposta. Só suspiros. Só arrepios. Só os nomes dele. Sim, porque são vários. E de muitos outros que virão ela nem será sabedora.

Ela vai continuar do lado de fora do livro que acabou de ler. Ele, lindo, vivo, apaixonado, do lado de lá vai continuar vivendo nos sonhos de outros que o lerem.

Mas pra ela, ele continuará tão real e presente como sua sombra. Ou talvez não, já que hoje ele vive dentro dela. Pra sempre. 

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