terça-feira, 29 de julho de 2014

She Is a Woman

Detesto os velhos clichês da vida, principalmente quando eles falam do que significa ser mulher. O que eles sabem sobre mim? Como podem me definir em palavras globais que me serviriam tanto quanto à minha mãe, minhas amigas, a estranha que passa na esquina da minha casa a caminho da padaria pensando “vou me entupir de bolo de chocolate porque a vida não faz o menor sentido!”? Ok, não é uma estranha. Ooook, sou eu. Não, não estou a caminho da padaria, mas provavelmente estarei em breve.

Mas sim, sobre clichês. Apesar de odiá-los, sempre achei que são populares por um motivo muito evidente: sua raiz é uma verdade. A questão que não pode ser esquecida é que nenhum deles, por mais coerente que seja pra uma ou outra situação, jamais poderá ser considerado uma verdade inteira. Menos ainda se o assunto for você ou eu, que compartilhamos neste mundo só o nome dos nossos cromossomos. Somos x, mas cada uma com seu cada qual.

Não me sinto um sexo frágil, não me sinto desprotegida, não dirijo mal, detesto frescura, não demoro pra me arrumar. Isso faz de mim um homem? Lógico que não, é só olhar pra mim pra perceber. Exatamente essas coisas, que não me definem, é que fazer de mim quem eu sou: mulher.

Mulher que tem celulite, espinha, gordura localizada, estria, TPM, paranoia com cabelo, mania de limpeza, que chora assistindo a filmes de gente que morre...mas também joga videogame, magic, poker, sinuca, mata barata, troca lâmpadas e joga o lixo fora.

Acho que no fim das contas não é nossa formação genética ou o que carregamos entre as pernas que define quem somos ou do que gostamos. É a vida que escolhemos levar, as pessoas que decidimos amar... no fundo, o que nos define é o que queremos ser.

Mulher nenhuma nasce sabendo ser quem é. Eu mesma, demorei muitos anos sendo menina e detestando isso. Perdi meu tempo me achando feia demais, boba demais, boa de menos. Tudo bobagens, que eu descobri recentemente que posso muito bem deixar pra trás.

Hoje, entre uma máquina de costura, uma caneca de café, 5 livros do Freud e um videogame, noto que ser mulher, na verdade, não tem definição concreta nenhuma pra mim. Não posso falar das mulheres em geral porque elas são únicas, todas elas. Posso falar de mim, do que eu vivi, do que me alegra ou me deixa triste. Ontem vocês leram outras coisas, de outra pessoa, amanhã lerão de novo, só que de um modo mais lindo e colorido, como a Rainha das Florestas...

Eu, mulher, tenho 22 anos e ainda descubro todo dia quem eu sou, do que eu gosto. Nesse caso, melhor deixar as definições prontas pra semana que vem.


Não existe nada mais clichê do que dizer que cada mulher é um indivíduo com suas características próprias, que não podem ser limitadas ao pensamento coletivo socialmente construído sobre nós. Mas como eu disse no começo, todo clichê é clichê porque é verdade, este é apenas mais um exemplo da regra sem sua exceção correspondente. Isso, no fundo, só torna as coisas cada vez mais divertidas, afinal, o que querem as mulheres? Isso nem Freud explica. E explicar pra que? Melhor ir descobrindo, todo dia, todo riso, a vida é um grande risco, no fim das contas. Nos cabe mesmo ver a beleza que há em cada coisa simples e também - por que não? – aprender a aceitar nossos próprios clichês.

Um comentário:

Unknown disse...

Linda mensagem!
Ai ai, quanto tempo eu tbm perdi me achando feia, não me achando "menina" suficiente... tudo por causa de um "padrão" dito sobre o que é "ser mulher", que engano!

Eu até fiz um texto sobre isso no meu blog essa semana, se quiserem dar uma lida, o link é http://feliz-por-natureza.blogspot.com.br/
Um beijo meninas *-*