Fevereiro de 2009
Eu não tinha ideia do que fazer naquela nova escola. Novas pessoas (todas muito loucas), novos estilos de viver, tudo era novidade e desesperadamente assustador. Em momentos de decisão, de mudança, eu fazia uma oração pedindo pra encontrar bons amigos naquele lugar e que me ajudassem a crescer ao longo da vida.
Cara, como eu era inocente (sabia de naaada hahah) mas pelo menos ficava na minha pra não passar muita vergonha e prestava bastante atenção até nos passos enquanto subia os degraus da escola porque levar uma queda seria no mínimo embaraçoso.
Depois do intervalo, reparei que uma louca da minha sala não falava nada se não fosse por bilhetes. Lógico que eu não ia perguntar nada mas fiquei curiosa e passei a observar. Ela conversava com um menino bonito só que baixo (uma pena) que tinha mudado do turno vespertino pro matutino e também estava se adaptando a tudo.
No dia seguinte, a louca/surda começou a dar umas gargalhadas do nada nessas conversas de papel com o menino bonitinho porém baixinho que me levaram a conclusão "ela não é muda". Segundo dia na escola, as pessoas do dia anterior que falaram comigo só uma foi bem gente boa, a Luciana; eu precisava falar com mais alguém. Virei a cabeça no meio da aula e fiz um comentário qualquer sobre a voz irritante do professor matemática. Eles riram e passaram o papel pra mim com uma pergunta que hoje eu já não lembro mais o que foi.
A louca/não surda/gargalhada louca na verdade estava completamente rouca e sem voz de um acampamento de grupo de jovens da igreja dela.
O menino bonitinho porém baixinho na verdade era meu vizinho e já me conhecia de vista perambulando pelo Angelim.
Aquele papel chamado "msn de pobre" marcou o início dos melhores anos da minha vida na época do colégio. No dia seguinte, a gente já sabia onde cada um morava, os nomes dos pais; na semana seguinte, os dois já sabiam de minhas dúvidas sobre qual carreira seguir. No outro mês eles já estavam almoçando na minha casa. Foi amor a primeira conversa.
Isabella, a louca, vale a pena lembrar que ela continua sendo chata com isso - Isabella com 2 L - compartilhou comigo o momento de transição de menina tímida que não fala com ninguém pra essa sem vergonha de hoje (mas ela não tem culpa, calma) e foi a maior incentivadora dos meus sonhos. Casciano, o baixinho, me ensinou sobre a nobreza que há em ser leal, verdadeiro e companheiro com quem se ama.
O final de 2011 parecia realmente o fim mas a gente nem sabia o que a vida realmente aguardava pra gente. No começo do ano seguinte, seguimos nossos caminhos acadêmicos e pra piorar logo de cara, cada um estudava em um turno diferente. Mas, nada disso foi suficiente pra separar nossas conversas na madrugada, todas as surpresas nos aniversários, todas as crises sobre os nossos casos amorosos e a felicidade de ainda poder contar com o outro mesmo que seja só por mensagem (inclusive obrigada ao criador do WhatsApp, você tá de parabéns).
Hoje a vida continua tão corrida quanto antes, mas as brincadeiras não acabam, as mensagens também não. Os encontros aleatórios e as surpresas continuam e ficam cada vez melhor reavivando as três crianças de 2009 que falavam mal da voz do professor.
Mesmo esse sendo um resumo de como eu conheci meus amigos do ensino médio, acho que expressa um pouco do amor que sinto por vocês.
Feliz Dia do Amigo
Garota da segunda
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