Detesto os velhos clichês
da vida, principalmente quando eles falam do que significa ser mulher. O que
eles sabem sobre mim? Como podem me definir em palavras globais que me
serviriam tanto quanto à minha mãe, minhas amigas, a estranha que passa na
esquina da minha casa a caminho da padaria pensando “vou me entupir de bolo de
chocolate porque a vida não faz o menor sentido!”? Ok, não é uma estranha.
Ooook, sou eu. Não, não estou a caminho da padaria, mas provavelmente estarei
em breve.
Mas sim, sobre clichês.
Apesar de odiá-los, sempre achei que são populares por um motivo muito
evidente: sua raiz é uma verdade. A questão que não pode ser esquecida é que
nenhum deles, por mais coerente que seja pra uma ou outra situação, jamais
poderá ser considerado uma verdade inteira. Menos ainda se o assunto for você
ou eu, que compartilhamos neste mundo só o nome dos nossos cromossomos. Somos
x, mas cada uma com seu cada qual.
Não me sinto um sexo
frágil, não me sinto desprotegida, não dirijo mal, detesto frescura, não demoro
pra me arrumar. Isso faz de mim um homem? Lógico que não, é só olhar pra mim
pra perceber. Exatamente essas coisas, que não me definem, é que fazer de mim
quem eu sou: mulher.
Mulher que tem celulite,
espinha, gordura localizada, estria, TPM, paranoia com cabelo, mania de
limpeza, que chora assistindo a filmes de gente que morre...mas também joga videogame, magic, poker, sinuca, mata barata, troca lâmpadas e joga o lixo fora.
Acho que no fim das contas
não é nossa formação genética ou o que carregamos entre as pernas que define
quem somos ou do que gostamos. É a vida que escolhemos levar, as pessoas que
decidimos amar... no fundo, o que nos define é o que queremos ser.
Mulher nenhuma nasce
sabendo ser quem é. Eu mesma, demorei muitos anos sendo menina e detestando
isso. Perdi meu tempo me achando feia demais, boba demais, boa de menos. Tudo
bobagens, que eu descobri recentemente que posso muito bem deixar pra trás.
Hoje, entre uma máquina de
costura, uma caneca de café, 5 livros do Freud e um videogame, noto que ser
mulher, na verdade, não tem definição concreta nenhuma pra mim. Não posso falar
das mulheres em geral porque elas são únicas, todas elas. Posso falar de mim,
do que eu vivi, do que me alegra ou me deixa triste. Ontem vocês leram outras
coisas, de outra pessoa, amanhã lerão de novo, só que de um modo mais lindo e
colorido, como a Rainha das Florestas...
Eu, mulher, tenho 22 anos
e ainda descubro todo dia quem eu sou, do que eu gosto. Nesse caso, melhor
deixar as definições prontas pra semana que vem.
Não existe nada mais
clichê do que dizer que cada mulher é um indivíduo com suas características
próprias, que não podem ser limitadas ao pensamento coletivo socialmente
construído sobre nós. Mas como eu disse no começo, todo clichê é clichê porque
é verdade, este é apenas mais um exemplo da regra sem sua exceção
correspondente. Isso, no fundo, só torna as coisas cada vez mais divertidas,
afinal, o que querem as mulheres? Isso nem Freud explica. E explicar pra que?
Melhor ir descobrindo, todo dia, todo riso, a vida é um grande risco, no fim
das contas. Nos cabe mesmo ver a beleza que há em cada coisa simples e também -
por que não? – aprender a aceitar nossos próprios clichês.
Um comentário:
Linda mensagem!
Ai ai, quanto tempo eu tbm perdi me achando feia, não me achando "menina" suficiente... tudo por causa de um "padrão" dito sobre o que é "ser mulher", que engano!
Eu até fiz um texto sobre isso no meu blog essa semana, se quiserem dar uma lida, o link é http://feliz-por-natureza.blogspot.com.br/
Um beijo meninas *-*
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