quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Quando caipirinhas não são suficientes.

Um dia me disseram que saudade doía. Eu não acreditei, lógico. Sou igual a São Tomé, só acredito vendo. Juro que queria sentir, só pra saber o gosto, só pra não passar despercebido pela vida. Sempre fui muito confusa em relação a emoções e sentimentos. Nunca soube dizer se é tesão ou medo, se é paixão ou TPM. Nunca sei se é saudade ou vontade dormir. Nunca fui boa em saber exatamente do que se trata aquilo que sinto. Aliás, sempre me poupei em relação a isso. Sempre deixei passar, sempre pensei que a falta poderia ser tamponada com outro objeto, problema ou bebida. Essa é minha sexta caipirinha e a falta ainda tá aqui. 
Mas agora me vejo aqui. Essa é minha sexta caipirinha e eu só penso em saudade. Eu que sempre fui abitolada no futuro, fico torcendo pro presente não passar. Eu que sempre tive pânico de usar a primeira pessoa do singular num texto, estou aqui agora, rabiscando vários "eus", inventando-os pra ver se soa mais bonito. E justo eu, que sempre me defendi com sarcasmos e ironia, estou despida de metáforas e risos fora de hora. 
Essa é a sétima caipirinha. Tudo está adormecido. Apesar da vista meio embaçada, da pouca luz e da música desagradável, penso no nós e nos nós que se deram na minha cabeça. Pelo meu jeito de ser eu o deixei solto. Em partes porque o queria por perto, em partes por medo de tê-lo por perto. Mas agora, eu já não sei. 
Essa é a oitava. A última, a derradeira. Talvez 3 meses sejam 3 dias, talvez sejam 3 anos. Já não penso mais em nada. Só espero que ele volte...

Nenhum comentário: