sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

"E de quem é a culpa?" ou "O dia em que tudo estava ocorrendo bem"

Era sexta-feira 13 e o dia começou assim. Estranhamente, as coisas amanheceram bem. O sol estava lá, brilhando. Os passarinhos cantavam e ela até conseguiu acordar antes do despertador tocar, tendo aquela gostosa sensação de que tinha mais tempo pra dormir. 
Há anos ela não dava um bom dia quando acordava. Não estava com aquele bichinho irritante do bom humor matinal, apenas estava bem. 
E não que tivesse tido a melhor noite do mundo na noite passada, pois não teve. Embora tivesse tomado injeções significativas de serotonina, havia brigado feio com o seu melhor amigo. Falou coisas que queria, mas não devia. Ele falou um monte e um "foda-se" que quase a fez chorar.
Mesmo com tudo isso, dormiu como uma pedra e, provavelmente, sonhou com os anjos. Acordou bem. Feliz. 
A primeira roupa que colocou lhe caiu bem. Chegou a parada e seu ônibus logo passou. Deu bom dia ao cobrador, cedeu lugar a uma idosa e ouviu, sem dores maiores, pagode durante todo o caminho de ida ao seu destino. Era um dia em que tudo ocorria bem.
Ao chegar ao seu destino, ela chorou. Por medo, por angústia, por imaturidade. Lá, ela descobriu de quem era a culpa. Somente dela, pontuou pausadamente a analista. "E o que você vai fazer com isso?".
E o que ela vai fazer com isso?? Vai para uma festa, ouvir música gay e beber vinho barato na companhia dos melhores amigos. Vai banhar de rio, jogar conversa fora, chorar por corações partidos e rir litros de danças aleatórias e merdas jogadas no ventilador.
E assim o dia vai continuar correndo bem. Se a culpa é dela, ninguém mais que ela para saber como dissipá-la.

Mariana Pedrosa

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