domingo, 11 de setembro de 2016

"A casa caiu, a festa acabou"

Alice estava ansiosa. Melhor dizendo, ela era ansiosa. Tinha se auto diagnosticado após ler alguns sites na internet que diziam os 10 sintomas mais frequentes em casos de transtornos de ansiedade e se identificou com 11, se contasse o sintoma extra que um "jeff_anonimo" postou ao final da reportagem, na parte de comentários. Mas aquele domingo foi especialmente mais ansioso que todos os outros. Era o 14º filme do Netflix que começava e não conseguia terminar porque na sua mente ressoava a lembrança da ficha caindo. As lembranças, se tivesse que ser sincera.
Foi numa conversa de bar, num começo de noite. Ou pode ter sido no dia anterior. A questão é: existiu. Ninguém mais ouviu aquele barulho, a não ser ela. Foi só uma ficha caindo, mas o estrondo reverberou por todas a extensão de seu corpo. E foi como uma onda (talvez devido ao som se propagar em ondas, segundo o pouco que se lembrava das aulas de física do segundo ano). Começou aos pouquinhos e foi crescendo, crescendo culminando na ponta dos pés e levando embora toda aquela imensidão de cegueira que insistia em tomar conta de suas repetições.
Talvez tenha sido numa terça feira, na hora do banho. O barulho ecoou e fez estremecer. A risada de canto de boca foi inevitável. A ficha caiu e ela se deu conta que tudo ao seu redor não passava de um minúsculo círculo no qual estava presa por vontade própria, mas sem controle algum. Se deu conta de todas as vezes que assistiu ao mesmo filme, que voltou às mesmas músicas de sempre, a mesma leitura por já saber como terminava, das vezes que entrou na série "conhecer - conversar - manter vínculo- foder - cair fora - colocar a culpa nele" que nem percebia mais que assim fazia. Se deu conta que estava no automático a tanto tempo que tudo lá fora pareceu um imenso e desconhecido amontoado de coisas. Não conhecia nada. Ela, simplesmente, não sabia mais nada.
Pobre garota! Acreditou por tanto tempo no cinismo como carro chefe das emoções, no não apego como proteção. Acreditou na descrença da capacidade de ser amada e agora junta os cacos do vidro estraçalhado quando o sentido de ter recebido um "você foi o grande amor da minha vida" bateu a sua porta. Pobre garota! Estava tão cega pela facilidade dos mecanismos de defesa que simplesmente foi deixando a vida passar. Pobre garota que acreditou ter o controle de tudo o tempo todo, esse bendito controle que insistia em querer e se desesperava, bicuda e chorosa tal qual uma menina mimada, toda vez que supostamente o perdia.
Talvez tenha sido no chá da tarde. Talvez tenha sido por algo que o Chapeleiro Maluco falou. A questão era que agora ela estava desperta. E acordar pode ser a coisa mais dolorosa do dia...ou da vida.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Parte I

Fiz sinal para o motorista, o ônibus parou e eu subi. Que calor está fazendo hoje, ainda bem que meu cabelo não está tão grande, mesmo com ele curto e preso ainda dá uma agonia ter tanto cabelo na cabeça. Foda-se! Não tem lugar para sentar, vou ficar o trajeto inteiro segurando nessas barras, imagina quanto homem coçou o saco e depois segurou, sem limpar as mãos, exatamente onde estou segurando agora...não pensa nisso, garota. Que calor!
Meu cabelo está tão curto que não consigo prende-lo por inteiro, tem esses cabelos na região da nuca que sempre fogem do elástico, os cortei curto demais naquele dia de fevereiro. Não dá para esquecer esse dia, falei para os meus pais que queria fazer um corte mais radical, aquele tipo joãozinho, minha mãe deu piti, vê se pode. Me senti desafiada, como é que pode ela querer controlar até meu corte de cabelo?! Pensei em várias coisas, me enchi de ódio, peguei uma tesoura cega e cortei. Usei essa região da nuca que fica escondida pra testar, cortei tanto que parecia que alguém tinha brincado com a máquina 3 e feito vários buracos irregulares, ficou horrível. Mas tudo bem, tem essa outra parte que não tinha cortado muito e que poderia muito bem esconder, meu cabelo cresce rápido.
Fui para sala exibir o cabelo cortado, não sei bem o que eu tinha na cabeça aquele dia, porque a porcaria de um corte de cabelo tinha mexido tanto comigo, merda aquele dia foi ridículo, principalmente pelo que aconteceu depois, antes de dá meia noite, aquela ligação do hospital para o meu pai avisando que meu tio morreu... Lembrei das três vezes que o tinha visto esse ano, a primeira foi no aniversário da neta dele, pedi benção, mas falei pouco com ele, que comentou que eu e minha irmã estávamos parecidas, ambas usando vestido preto, e eu ri, mais por cordialidade do que por vontade. A segunda vez ele estava deitado num leito na uti, de olhos abertos, mas sem expressividade nenhuma, respirando por aparelhos e usando fralda, tinha emagrecido muito, ele sempre foi um homem alto e corpulento, ele ali tão indefeso deitado no leito parecia surreal, foi bem triste, queria que ele falasse alguma coisa, será que ele ainda estava ali? Não sei.
A terceira vez foi a última, de uma vida inteira.. que droga, ainda choveu no enterro, não bastava o estado de espirito estar abalado, ainda beti o queixo de frio. Tem coisas que só ficam boas em filmes.
Desde esse dia fico com medo de algo acontecer, e mais alguém morrer e fim.
 Detesto quando esses cabelos na nuca servem com Testrálios, me lembrando da morte, e que essa pode se anunciar a qualquer hora até mesmo quando estamos absortos em questões ridiculamente banai...Caralho! Perdi minha parada, vou ter que descer a ladeira nesse sol quente, ainda bem que para baixo todo santo ajuda.

Tayná.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Depressão pós-livro inspira

Terminei de ler o livro O Velho e o Mar do Ernest Hemingway, depois fiquei pensando sobre a leitura e senti uma vontade danada de falar sobre isso, esbocei até o começo de uma critica literária, com introdução e resumo do livro, bem arrumadinho, só que no meio do processo percebi que sofria de depressão pós-livro, e que queria mesmo colocar para fora  algo muito subjetivo. Resolvi acessar o youtube, procurar O Velho e o Mar- Rubel,escutar a música e escrever pensando no personagem do livro, e saiu isso aqui:

O VELHO
A presença da saudade é a ausência.
é vazio no armário, a lembrança.
Querer ter perto o distante,
É por fim, e solidão.
Ver adiante o passado,
É caminhar e parar
caminhar e parar.
É seguir sabendo que tem
uma falta
que ficou para trás
em outras vidas
não mais nessa.


E O MAR
O pescador que foi ao mar,
jogar a linha, anzol.
Entre as águas, seja calmaria
ou tempestade,
ele olha para a cidade
a lembrar das coisas que deixou lá.

Tayná.

domingo, 29 de maio de 2016

Domingo, 18h.

De repente, eu consigo sentir o que um viciado sente. Quer dizer, eu acho que é a mesma sensação de um viciado. Não depois do vício, mas antes. Antes de todo o começo. Antes da primeira cheirada, da primeira fumada, da primeira gozada, do primeiro corte da mutilação. De repente me parece muito claro o por quê das pessoas se viciarem em alguma coisa, em alguém, em algum ato, em algo.
De repente, o teto branco parece me provocar, me fazendo lembrar que é ele o meu companheiro nos últimos tempos e que eu o tem fitato com tanta frequência que já consigo diferenciar os tons de branco que as demãos da tinta mal passada no último natal me deixaram de lembrança.
De repente, todas as minhas experiências parecem que foram apenas tentativas frustradas de crônicas mal escritas por um aluno da 5ª série, que ainda acha muito difícil escrever alguma coisa que tenha início, meio e fim.
De repente tudo parece tão passageiro, insípido, monótono... de repente tudo parece tão deserto, tão sem vida, tão silencioso, apesar do barulho de todos os carros, do som alto e de pessoas gritando por mais uma maldita bola que balança uma maldita rede.
De repente, tudo está em slow motion. Me sinto num filme ucraniano em preto e branco, em pé perto da linha do trem, com minha mala quadrada na mão e meu sobretudo apenas jogado nos ombros, esperando pacientemente o interminável trem passar.
De repente tudo fica assim, em nuances laranja azuladas (ou azul alaranjadas), luz quase baixa, sensação de vazio. Sensação de que tudo perde completamente o sentido, inclusive, tentar encontrar sentido para as coisas parece mais sem sentido ainda. E, de repente, me pego lembrando de uma juventude em que eu sentia demais, tudo...e eu implorava para Deus para que Ele me permitisse sentir menos, para sofrer menos, consequentemente. Parece que Deus ouviu. Nesse exato momento, não sinto absolutamente nada, só um grandessíssimo vazio de merda, um buraco gigante de nadas que tiraram, absolutamente, toda minha vontade, coragem e criatividade de lidar com esse momento.
De repente, um resquício de vida (claramente em desespero). Vida que implora por mais, por experiências, pelo novo. Vida que me faz recordar Alberto Caeiro e sua simplicidade no existir. E me vem à cabeça como um mantra "o único sentido íntimo das coisas é que elas não têm sentido íntimo algum". Ou seja, apenas pare, menina! Pare de se preocupar tanto, pare de esperar tanto, pare de sofrer pelo que existe apenas na sua cabeça. Ligue, mande a mensagem, um sinal de fumaça, aceite um não, uns nãos e siga em frente. Apenas VIVA!

De repente, são 19h.

Mariana Pedrosa

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Considerações sobre os Professores Medíocres.

Desde que me lembro meu grande objetivo acadêmico foi entrar na universidade. Minha mãe e família fizeram esforços incontáveis para que meu nome constasse na lista de aprovados da Federal. E assim foi, logo de cara, no primeiro vestibular. 
Entrei na universidade com 17 anos, caloura de curso, caloura na vida. Eu tava ali porque sabia que era pra ta ali, mas pra que era mesmo?!

Fui descobrindo aos poucos.

O sonho estava realizado e logo de cara a gente percebe que passar no vestibular é só o começo de um montão de problemas. 
Hoje eu quero falar de um deles que me incomodou muito: Os professores medíocres. 

Tive o privilegio de ter tido excelentes mestres que não me deixaram sucumbir quando no meio de tantos bons aparecia um meia boca. Não era um professor burro ou despreparado, a maioria das vezes a gente via que ele só tava desinteressado.
Os professores e medíocres chegavam atrasados, liberavam cedo, passavam texto pra ler na sala e "debater" depois, ficavam fuçando no celular enquanto a gente se matava pra apresentar um trabalho decente. As vezes ele faltava um mês inteiro, subestimando nossa inteligência, dando as piores desculpas. Outras vezes eles faziam questão de dizer que a universidade não pagava nem o peeling deles. Bom, foram alguns professores assim e inúmeras situações completamente revoltantes para um aluno que anseia por aprender alguma coisa.
Você deve ta imaginando que ou uma nerd revoltada. Não, não sou. Varias vezes me aproveitei da incompetência desses professores para faltar aquela única aula de sexta ou sair pra jantar no R.U e ficar batendo papo com os colegas, porque era mais produtivo do que voltar pra aula e ver um profissional nada interessado se você ta aprendendo ou não. 
Então isso é responsabilidade minha? 
Sim, mas não exclusivamente. 
Educação é troca. Professor ensina, aluno aprende, vice e versa. Podia me sentir culpada por todas as vezes em que fui tão medíocre quanto esses professores, mas não. 
Não me sinto porque quando era aquele professor que dava aquela puta aula eu saia de casa cedo pra não atrasar, virava a noite estudando pra prova ou tentando dar o meu melhor naquele trabalho valendo 2 pontos; lia os textos com antecedência e ficava com fome pra não correr o risco de voltar atrasada e perder algo da aula. Esses professores valeram a pena, mesmo aqueles com quem eu tinha pouquíssima afinidade com a matéria ensinada, valeu a pena toda cobrança e esforço deles.
Esses últimos de que falei são os que me inspiraram e continuam me inspirando. São aqueles que fazem eu querer ser professora e inspirar alguém um dia. 
Sobre os outros fica meu questionamento: Pra que seguir a docência? Tem coisa melhor a fazer. Lidar com uma sala de aula não deve ser fácil, então pra que escolher uma carreira de ensino se você detesta ensinar.
Esse tipo de atitude é solo fértil para que surjam alunos medíocres e futuros profissionais medíocres, que talvez retornarão à universidade para serem tão medíocres quanto seus professores foram. 
Isso gera uma bola de neve que resulta em pouca produção científica, baixo interesse em grupos de estudo, iniciação cientifica ou extensão. Vemos alunos desmotivados em pesquisar mais e se contentando apenas com o que é oferecido tão porcamente na sala de aula.
Nós entramos na universidade sem saber de nada, é papel do professor mostrar como a coisa toda funciona, se você não tiver interesse pelo que faz, isso vai ser um fardo insuportável.
E eu espero, de coração, que isso mude porque eu sei que é possível. Eu tive professores medíocres, mas eu tive professores que foram maiores que isso, que se comprometeram em transmitir um saber limpo e me ensinaram a pensar alem da caixa.
Nesses que eu me inspiro. Nesses que eu acredito e um desses que eu vou me tornar.

Enezita Vieira.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

It's a Macth!!


Se conheceram no Tinder. Ele, à toa, tentando superar o fim de um relacionamento com bom papo e sexo casual. Ela, de brincadeira com as amigas, julgando secretamente as pessoas que se expunham àquela clara manifestação de desespero.  
Se curtiram numa noite de quarta, dia em que nada acontece.
Ele puxou papo. Ao contrário dos outros, não houve um questionário socioeconômico e demográfico antes de uma conversa realmente interessante ser travada. Isso fez com que os olhos dela brilhassem e fez com que o sentimento de “mais do mesmo” desse espaço a sensação de desbravamento do desconhecido.
Conversaram sobre tudo. Riram sobre tudo. Não viram a hora passar e se despediram na promessa de um novo encontro, mas numa rede social diferente. Trocaram Whatsapp, um "oi" rápido apenas para que o telefone fosse gravado.
Os dois dormiram com aquela sensação gostosa no peito, aquela que só quem tem prazer em descobrir coisas novas sente ao ver um objeto em potencial. 
O dia seguinte começou com um "bom dia" dele para ela. Conversas intensas sobre vida, morte, carreira, personalidade, literatura e astrologia foram travadas com muito vigor de ambas as partes: tudo antes do almoço. Ela tinha a sensação que ele era um livro que precisava ser devorado desesperadamente, para saciar a fúria pela história do personagem e ansiava, com seus botões, que se tratasse de uma série de livros tal qual Game of Thrones... interminável. Ele sentia algo parecido, associado a um esperança intensa de que o sexo fosse tão bom quanto o papo.
“Se não tem Facebook, não é confiável” diziam as amigas. Ela, então, pediu para que fosse adicionada ao Facebook dele. Ele aceitou. Puderam conhecer um pouco mais sobre o não dito nas conversas. Ela viu que ele curtia Bolsonaro. Ele viu que ela ouvia Taylor Swift. Deixaram esses defeitos em suspensão, por algum tempo.
Continuaram a conversar no mesmo vigor. Ele gostou das fotografias que ela fazia e a seguiu no Instagram. Ela o seguiu de volta. Ela percebeu que alguns vídeos dele era feitos no SnapChat. E se tornaram amigos lá, também.
À medida que a intimidade crescia depois das visualizações no Snap, se sentiram a vontade para uma chamada de vídeo via Skype.
Quando ele curtiu 7 fotos seguidas dela no Instagram, ela pode estar certa do interesse dele. Trocaram nudes por Direct.
Se conheceram pessoalmente numa quarta, dia em que nada acontece. Ele trocou o futebol por uma noite de sexo selvagem com a menina do Tinder.
Ela adorou. Ele também. Se encontraram sexualmente por mais duas semanas.
As postagens dele sobre Bolsonaro ficaram mais frequentes. O Snaps dela cantando Taylor Swift, também. Ela foi começando a enojar tamanha demonstração de apoio e afeto que ele mostrava ter por aquele político. Ele foi achando que era culto demais para estar com alguém que gostava tanto de cultura pop. Ele foi deixando de dar "bom dia" no whats. Ela já não curtia as fotos dele no Insta. Ela também deixou, sem perceber, de citar o @ dele no Twitter. Já não tinham mais Directs com nudes. Nem links no Face de publicações que lembravam um ao outro. 
Ela percebeu o afastamento primeiro. Culpou ele, e somente ele, é claro. Ele não teve que perceber nada, já que havia feito propositalmente. “Não estou pronto para outro relacionamento sério nesse momento” repetia para si mesmo, incansavelmente.
Aos sinais de perda, ela entrou em parafuso. Chateada, deixou de segui-lo no insta. Ele, respondendo a provocação, desfez a amizade no SnapChat. Realmente ferida pela intensidade da crueldade dele, o bloqueou no whats. Aproveitou a onda e deixou de seguí-lo no Twitter.
Mas nenhum dos dois ousou tocar no santo Facebook.  Sabiam, os dois, que o Facebook poderia lhes proporcionar a “inocente” stakeada nos dias em que a maré estivesse seca. Sabiam que o bate papo daquela rede social poderia ressuscitar um papo falsamente interessante quando estivessem procurando saciar o carnal. Eles sabiam. Não admitiam, mas sabiam.
Nenhum contato fora feito depois dessas desfeitas.
Ela jurou para si que nunca mais conheceria ninguém dessa forma, que não valia a pena, até que... "Oh, It's a Macth!!"

Mariana Pedrosa

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

O botão da treta. E a minha opinião.



Talvez o mundo só esteja mesmo interessado em ver relacionamentos fracassarem. Por que eu tô dizendo isso?

Esses dias o facebook lançou mais algumas reações além do famoso e velho curtir, pessoalmente eu achei bem desnecessário! Enfim, uma delas é um coraçãozinho que significa “amei”. Eu realmente não vi problema algum.

Mas ai que nos grupos de wpp, no instagran e no próprio face começou um ataque ao “amei” que me deixou intrigada. Chamaram ele até de anticristo dos relacionamentos, eu ri. Eu fiquei, de verdade, sem entender bem o poder destruidor que estão dando para o tal coraçãozinho. 

Eu tenho namorado, eu tenho lá as minhas crises de ciúme, minhas neuras e etc, mas não me ocorreu nenhuma situação onde esse “amei” pudesse trazer um problema pra nossa relação. Até porque, quando você da um like, você ta dizendo que realmente gostou da foto ou do post. Não é mesmo?!

Lembro de quando o wpp lançou o azulzinho pra visualizado, foi o mesmo auê de problemas nos relacionamentos. 

Gente, de verdade, não deixa esse tipo de coisa bagunçar teu relacionamento não. Um novo botãozinho numa rede social não pode ter esse poder. Não tô fazendo a linha super poderosa, tem certas situações que geram um incomodo em redes sociais, eu sei disso e também vivo isso. Mas se um grande problema surgir por causa desse “amei”, devo dizer que o problema não tá lá, tá fora da rede social, tá no real, bem entre o casal. 

Deram tanto poder à esse botãozinho fofo que agora, talvez, ele passe a ser a ruína dos relacionamentos, só porque botaram pilha, só porque é mais legal quando rola um mimimi, talvez seja porque a audiência é maior nos desastres.

Enezita Vieira.



domingo, 21 de fevereiro de 2016

Como eu era antes de "Como eu era antes de você"




Alerta Spoiler: contém spoiler por motivos de: não consigo me controlar.





"Como eu era antes de você" é um livro que parece um desses livros que a gente vê todos os dias surgindo e sumindo por aí. Se vende, aos desavisados como eu, como uma história de amor entre uma cuidadora e seu paciente tetraplégico. Até aí ok. Mas a medida que suas horas de sono diminuem porque você não consegue, simplesmente, parar de ler, você vai percebendo que o livro tá muito além da paixão pouco comum que parece surgir... 
Vou começar do começo: sou viciada em trailers. Sim, já procurei grupos de apoio, mas isso não vem ao caso agora. A questão é que eu sou viciada em trailers e qualquer um que aparece eu assisto e assisto às sugestões seguintes até eu perceber que estou atrasada para qualquer coisa. Numa dessas, apareceu para mim o trailer da versão cinematográfica de Como eu era Antes de Você, e com ele um estardalhaço por conta da atriz,a fulaninha lá que é a rainha da porra toda em Game Of thrones (que, por falar nisso, eu não assisto). Curiosa, assisti ao trailer sem esperar muita coisa. Só com ele já senti um arrepio diferente e senti que uma lágrima queria rolar. Imediatamente imaginei que o final para essa história não convencional, seria um clichê, para amenizar os corações aflitos e carentes do mundo todo.
Passaram-se um dias e minha timeline bombou novamente com compartilhamentos deste bendito trailer, acompanhado sempre do cabeçalho “já baixei o livro”. E aí a notícia de que só estrearia em meados de julho ou setembro, não lembro ao certo. Novamente, movida pela curiosidade ( e percebam que tem uma pitada de maria vai com a outras nisso), baixei o bendito livro no ímpeto de saber o que acontecia no final.Comecei a ler dando gostosas risadas, me identificando em alguns atrapalhados aspectos com a protagonista e rendendo deliciosamente cada página até que... até que tudo muda e a calma já não faz parte do processo pois as coisas acontecem e vão acontecendo e você PRE-CI-SA saber como raios isso continua. Pra quem já terminou o livro, pode continuar lendo. Quem não, volte 5 casas. 
Esse segundo ponto já te dá ideia do que acontece. Sim, o Will escolhe morrer.No decorrer da trama, Louisa descobre que Will pretende cometer suicídio assistido após o período de seis meses dados por ele aos pais. A função dela na casa é a de alegrar os dias de Will a ponto de fazê-lo desistir do combinada de dar cabo a sua vida. A questão é que: não quero discutir exatamente a narrativa do livro, mas as temáticas que emergem de forma tão sutil à medida que se vai avançando as páginas. Digo sutil pois elas surgem para o leitor na mesma medida que se tornam claras para a própria protagonista. Vou chamar atenção para duas delas: 

1. O convívio com pessoas cadeirantes; e 
2. O suicídio assistido. 

Sobre o primeiro ponto, acho bastante legal como a Lou vai se dando conta de como é a vida de um cadeirante que resolve enfrentar a vida em sociedade. E quando eu falo cadeirantes, pode-se generalizar para pessoas com qualquer tipo de deficiência. E o mais legal é que ela se dá conta! Digo isso porque existem pessoa (e eu conheço várias!) que convivem ABSOLUTAMENTE TODOS OS DIAS DA VIDA com pessoas cadeirantes e continuam não percebendo (ou não querendo perceber) como essas limitações afetam na qualidade de vida deles. A minha mãe é cadeirante há mais de 10 anos e toda a geração de primuxos que vieram nesses anos sabem respeitar, valorizar e conviver com pessoas diferentes. Não existe um constrangimento com as rodas, não existe olhar torto e, o melhor de tudo, é que essa forma de lidar é por causa de minha mãe, mas não é exclusivo para ela: eles levam esse aprendizado para fora da família, para fora da porta de casa. E é isso que deveria ser divulgado em ampla escala para o mundo: VIVER COM O DIFERENTE FAZ COM QUE A DIFERENÇA NÃO SEJA SENTIDA. Aliás, faz com que ela seja ENTENDIDA. 

E essa dessensibilização vai acontecendo aos poucos com a Lou. O estranhamento inicial causado pela cadeira de Will vai dando espaço a uma convivência sadia e harmônica (com a cadeira, com o will só às vezes.. rsrs). E o mais legal é a evolução disso no decorrer da narrativa, quando ela percebe as barreiras que uma cidade pode se tornar para uma pessoa cadeirante. 




Como eu acho que esse texto está ficando extenso e o segundo ponto dá muito pano pra manga, vou comentar sobre ele num próximo post. =)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Click

A vida é imprevisível. Isso é maravilhoso e assustador na mesma medida. Você encontra o amor da sua vida, perde um ente querido, acha dinheiro na rua, tropeça num desnível da calçada… você nunca sabe.

O que fazemos é nos cercar de planejamentos como uma bolha, temos a ilusão de que se controlamos algo, então tudo estará bem. O tédio cotidiano ou talvez alguma bondade divina nos faz esquecer que tudo isso não passa de brumas de uma fabtasia, que na verdade nada está sob controle.

Mas nós estamos aqui e nos submetemos à vida. Compramos no pacote um monte de alças rebentadas de chinelos, unhas encravadas, doenças progressivas e milhares, milhões de imprevistos.

É difícil viver, isso sim a gente sabe.

O fato da maioria escolher viver focada no “apesar” (porque apesar de ser difícil a vida também é linda) não atenua essa verdade tão presente. Rapadura é doce, mas não é mole não.

E o que se faz quando o momento é desses que machucam mais que topada com o dedo mindinho? Se aguenta e segue em frente como se o dedo não doesse?

Sim, se segue em frente.

Seguimos em frente porque em última instância essa é a única escolha que nos resta: assumir um compromisso com essa vida bandida ou não. E se a resposta for sim, busque logo um copo de água pra ajudar a engolir seus sapos, porque com certeza eles virão.

Ainda não inventaram um controle universal que acelere o tempo ou ponha no mute os berros de insulto que temos que ouvir, mas pensemos um pouco: e se? E se fosse possível, que bem nos faria? Todos viram a cagada que da em filmes de domingo a tarde, repetir isso na vida ou não é apenas uma questão de consciência.

Porque avançar ou voltar ou aumentar o volume ou diminuir a velocidade nunca é solução pra nada.

A vida não se resolve com um controle. Nada passa em um click. A vida não se deixa controlar.

Mas estamos aqui pra isso, pra acreditar que hoje é o dia de achar um dinheirinho esquecido no bolso e não de ser atropelado por uma carroça puxada por unicórnios.

A vida é um carro desgovernado, mas viver é se esquecer disso. Afinal, você nunca sabe. 

sábado, 23 de janeiro de 2016

Por mais dias sem culpa ou Eu não quero ser mãe.



Há alguns dias, tive a oportunidade de ler uma reportagem muito corajosa sobre pais (mais corajosos ainda, diga-se de passagem) que através de um canal, puderam  compartilhar sobre um sentimento incômodo e socialmente não aceito: o arrependimento de terem se tornado pais. O relato dessas pessoas tem um ponto em comum: eles amam os filhos. Sim, eles amam. Entretanto, a tarefa social de ser pai ou mãe lhes é bastante ardilosa, tal qual aquele emprego que você não aguenta mais, mas não pode se dar ao luxo de sair pois o sustento depende dele? Pois é. É dessa mesma forma que esses pais se sentem.
Mas, então, o que os levou a terem filhos? Essa pergunta me saltou aos olhos quase imediatamente. Alguns deles relatam que foi por puro descuido, alguns porque foram convencidos e alguns acreditavam que queriam filhos, pois isso faz parte do desenvolvimento enquanto ser humano, sabe, aquela velha história do “nasce, cresce, reproduz e morre”. Fiquei parada alguns minutos em frente ao computador em um misto de espanto com a sinceridade e tristeza por existir uma parcela (que é mais frequente que você imagina) de pais que simplesmente odeiam estar desempenhando essa função e por pensar na angústia que é estar nesta posição, uma vez que, vejam bem, não são pais que não aguentam a carga e simplesmente somem...se trata de pais que assumiram a responsabilidade, mas odeiam.
Contudo, o que me fez querer falar sobre o assunto, foi pensar que muitos deles não  tinham vontade alguma de serem pais. E eles falam sobre isso.
Agora, falando especificamente da mulher , que carrega desde sempre um ventre e é acompanhada de um discurso de “por ser mulher tem que ser mãe”: você
não tem. Só que, infelizmente, é essa premissa que ainda faz parte do imaginário feminino... assumir para si mesma e para a sociedade que você, apesar de ter recebido “a dádiva de Deus” de ter um útero, ter um período fértil todo mês, ter seu organismo preparado para conceber uma criança, você não quer ser responsável por alguém pelo resto da sua vida, é simplesmente inadmissível. É negar sua natureza, é negar o curso natural da vida... agora, a questão: negar sua natureza ou se arrepender pelo resto da vida? Pior, se arrepender e o fruto desse arrependimento depender de você por uns boooons anos?
Para não ter risco de ser interpretada de forma errada (o que inevitavelmente vai acontecer uma hora ou outra), não estou lançando a discussão de interromper ou não uma gravidez, por exemplo. A questão levantada aqui é o tabu acerca do “ser ou não ser mãe”. Aliás, do QUERER ser mãe ou não.
Eu, particularmente, nunca desejei ser mãe, mas também nunca falei a respeito. Sempre me senti muito culpada por negar a minha incapacidade de desejar um filho, por não demonstrar o mínimo interesse em ter uma criança pra mim e sempre me consolei no discurso de outras mães (inclusive na minha) de que essa forma de pensar mudaria a partir do momento que eu engravidasse, que pegasse o filho no colo. Outro discurso particularmente atraente é o de ter filhos para não sentir a solidão na velhice...
Bem, alguns anos de análise depois, consigo sentir menos culpa ao pensar que não quero, ainda, me responsabilizar por alguém. Sou taxada de egoísta algumas (das poucas) vezes em que verbalizo esse não-desejo, o que já não me gera nenhum desconforto pois tanto querer como não querer ter um filho são atos egoístas... (mas essa é outra discussão). O fato é que, não discutir essas questões ou não querer pensar em questões do tipo não trazem esclarecimento algum. Traz apenas pais frustrados por não conseguirem lidar com o rojão que lhes foi “dado pela natureza”. Me dói muito pensar que, pra “seguir um curso da natureza” ou “para não ficar sozinha na velhice” uma pessoa tenha que sofrer porque eu não consegui suportar a função “mãe”.
Então, meu filho, talvez o meu maior ato de amor para você, neste momento, seja assumir para mim mesma que eu não desejo tê-lo.

Mariana Pedrosa


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

O primeiro assédio.


Quando eu era mais nova, especialmente na adolescência, eu andava como um menino, falava como um menino, me vestia como um menino.
Até pouco tempo eu não entendia o porquê disso, mas esses dias estive refletindo sobre muitas coisas e eis que me deparei com a grande questão que estava enterrada e eu já nem lembrava mais.
Quando os primeiros sinais da puberdade apareceram eu me desesperei. Não queria seios, menstruação, cólicas, curvas, tampouco pelos em todos os cantos. Eu gostava muito de brincar correndo e subindo em arvores, brincava de queimado e rouba bandeira e eu achava que assim que eu "virasse mocinha" isso seria tirado de mim.
De algum modo estava na minha cabeça que quando a gente vai crescendo os gêneros devem se separar, então, eu já não poderia brincar como ou com meninos e eu não queria isso.
Mas a adolescência chegou e meu corpo inevitavelmente mudou. E eu morria de vergonha disso, eu não queria que os meninos vissem isso porque eu sabia, de alguma forma, que eles iam "tomar gosto" comigo. O que eu fiz? Cobri meu corpo.
Eu preferia camisas folgada pra não mostrar os seios, preferia bermudões pra não mostrar as pernas, meu dialeto virou o dialeto dos manos, porque se eles me vissem como um menino eles não ousariam fazer fiu fiu quando eu passasse.
Eu me enganei.
Mesmo com todo o jeito molecote eu passava na rua e ouvia vários impropérios e mais, eram de garotos mais ou menos da minha idade. E eu sempre achava que a culpa era minha! Nas raras vezes em que eu punha um short e ouvia fiu fiu eu queria correr pra casa e por uma bermuda, pois eu achava que a culpa era minha.
Hoje, apos refletir sobre esse momento do meu passado, eu vejo que de bermudão ou shortinho, eu não escaparia do assedio. Os meninos iriam assoviar na rua porque eles aprenderam que isso é certo e eu iria me culpar porque aprendi que é culpa da mulher. Olha a merda!
Esta no imaginário popular que mulheres gostam de assovios e cantadinhas, que isso é fazer com que ela se sinta desejada. É mentira, gente! Pelo menos pra mim.
Sempre que vejo grupo de homens e eu tenho que passar por eles eu estremeço, eu sinto receio do que eu posso ouvir e mais, tenho raiva porque não vou poder fazer nada.
Menina, mulher, moça, a culpa nunca é sua. Essa frase já ta batida, mas hoje faz mais sentido pra mim por essas lembranças que tive da minha adolescência e pelas consequências disso no meu presente.
Homens, por favor, parem de assoviar ou falar piadocas e frases ridículas quando mulheres passam. A gente sente tanto medo e tanta raiva que vocês não podem imaginar. Apenas parem.
Pais, eduquem seus garotos para que respeitem a todos, inclusive as mulheres, ensinem a eles o que é elogio e o que é babaquice. E ensinem suas meninas que a culpa jamais será delas, que elas são livres pra vestir o que quiserem e isso não vai fazê-la culpada de nada.
Vamos tentar tornar o mundo um lugar mais habitável. Ainda tem jeito, é so acreditar!

P.S.: De forma alguma estou generalizando, convivo com homens incríveis que tem lutado dia a dia contra seus próprios preconceitos e tentando ser alguém melhor. Então, sem mimimi.

Enezita Vieira. 


quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Sobre ser aceito do jeito que é



Quando eu era mais nova, especialmente na adolescência (ô fase...), eu andava como um menino, falava como um menino, me vestia como um menino. Eu me sentia mais confortável assim e também porque eu achava que ia evitar assedio dos garotos, mas disso eu vou falar outro dia. 

A minha mãe é uma mulher extremamente feminina, ela é vaidosa com roupas, cabelo e maquiagem, anda sempre arrumada e insiste para que eu e meu irmão andemos do mesmo jeito, tem um bom gosto admirável e eu tenho certeza que ela gostaria muito de ter tido uma filha tão feminina quanto ela. E imagina só a nossa relação quando eu queria camisas e ela queria me comprar tops... 

Acontece que a minha mãe nunca me obrigou a nada. Ela comprava minhas camisas de capuz e meus bermudões, mesmo que ela fizesse uma cara de desaprovação quando eu me arrumava ela tentava disfarçar e me dedicava todo amor do mundo. 

Nesse mesmo período eu tinha muitas crises com relação à minha imagem. Eu me achava baixinha e muito magra, não gostava do tom da minha pele, nem do meu nariz, nem da minha boca, nem dos meus dentes separados ou meus pés grandes demais pro meu corpo e ouvia de diversas bocas que eu era feinha mesmo. E quando eu tava triste com tudo isso, minha mãe virava pra mim e dizia "filha, você é linda! Você é linda assim, do jeitinho que você é!" E isso me dava animo pra continuar encarando as crises da vida. 

Eu também quis ser muitas coisas, inclusive modelo e o que minha mãe fez?! Me inscreveu num curso de modelos. Na época a gente tinha mal o dinheiro da passagem pra ir pra aulas, mas ela fazia uma mágica e me levava mesmo assim. E sabe por que? Porque quando queria ser uma coisa e eu achava que jamais conseguiria minha mãe virava pra mim e me dizia "filha, você pode ser qualquer coisa! Se você quiser, você pode e eu sempre vou apoiar os seus sonhos!" E isso me fazia acreditar numa força que nem eu sabia que tinha. 

Enfim, minha mãe é uma mulher incrível e foi e tem sido a melhor mãe do mundo, servindo sempre de apoio e suporte emocional, além de ser a maior incentivadora dos meus sonhos. 

E esses dias, refletindo sobre tantas coisas que apareceram pra mim, percebi que eu tive a experiência mais maravilhosa que um ser humano pode ter: Eu fui aceita do jeito que eu sou. 

Gente, não existe nada mais maravilhoso do que você ser amado e apoiado simplesmente por você ser quem você é. Não existe nada mais lindo do que ouvir "eu amo você assim, desse jeitinho!" Isso em qualquer área da vida, pra qualquer tipo de relação, mas especialmente no seio familiar, que é onde você dá seus primeiros passos e onde você encontra seus primeiros referenciais. 

Nós costumamos acreditar no que os nossos pais (ou figuras paternas) dizem e isso fica dentro de nós pra sempre. E eu tive o privilégio de acreditar que eu tenho potenciais, que eu sou bonita, que eu posso fazer qualquer coisa, embora um mundo de gente me dissesse o contrário.

No meio disso tudo aprendi, com essa mulher incrível que é a minha mãe, que não existe nada mais importante que aceitar o outro como ele é. Deixar as minhas expectativas de lado e virar pra essa pessoa e dizer "eu aceito e amo você assim, do jeitinho que você é!" 

Hoje eu carrego essa lição valiosíssima pra todo lado! Nem sempre é fácil, mas convido você, pai, mãe, tio, tia, primos, família... Aceitem seus pequenos do jeito que eles são, incentivem os seus sonhos, andem ao lado deles e abram caminhos. Desse modo, eles terão suporte para crescer e vão se tornar adultos fortes emocionalmente e que amam e aceitam também. 

Aceitem também os adultos que chegam na vida de vocês, digam a eles que eles são lindos do jeito deles e que eles podem fazer qualquer coisa. Isso faz muita diferença. 

Enfim, num mundo tão extremista, onde ninguém tem o direito de ser diferente, vamos tornar esse diferente algo especial. 

Lembre-se: NÃO HÁ NADA MAIS MARAVILHOSO DO QUE SER ACEITO DO JEITO QUE É.


Enezita Vieira.