Click
A vida é imprevisível. Isso é maravilhoso e assustador na mesma medida. Você encontra o amor da sua vida, perde um ente querido, acha dinheiro na rua, tropeça num desnível da calçada… você nunca sabe.
O que fazemos é nos cercar de planejamentos como uma bolha, temos a ilusão de que se controlamos algo, então tudo estará bem. O tédio cotidiano ou talvez alguma bondade divina nos faz esquecer que tudo isso não passa de brumas de uma fabtasia, que na verdade nada está sob controle.
Mas nós estamos aqui e nos submetemos à vida. Compramos no pacote um monte de alças rebentadas de chinelos, unhas encravadas, doenças progressivas e milhares, milhões de imprevistos.
É difícil viver, isso sim a gente sabe.
O fato da maioria escolher viver focada no “apesar” (porque apesar de ser difícil a vida também é linda) não atenua essa verdade tão presente. Rapadura é doce, mas não é mole não.
E o que se faz quando o momento é desses que machucam mais que topada com o dedo mindinho? Se aguenta e segue em frente como se o dedo não doesse?
Sim, se segue em frente.
Seguimos em frente porque em última instância essa é a única escolha que nos resta: assumir um compromisso com essa vida bandida ou não. E se a resposta for sim, busque logo um copo de água pra ajudar a engolir seus sapos, porque com certeza eles virão.
Ainda não inventaram um controle universal que acelere o tempo ou ponha no mute os berros de insulto que temos que ouvir, mas pensemos um pouco: e se? E se fosse possível, que bem nos faria? Todos viram a cagada que da em filmes de domingo a tarde, repetir isso na vida ou não é apenas uma questão de consciência.
Porque avançar ou voltar ou aumentar o volume ou diminuir a velocidade nunca é solução pra nada.
A vida não se resolve com um controle. Nada passa em um click. A vida não se deixa controlar.
Mas estamos aqui pra isso, pra acreditar que hoje é o dia de achar um dinheirinho esquecido no bolso e não de ser atropelado por uma carroça puxada por unicórnios.
A vida é um carro desgovernado, mas viver é se esquecer disso. Afinal, você nunca sabe.
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