Alerta Spoiler: contém spoiler por motivos de: não consigo me controlar.
"Como eu era antes de você" é um livro que parece um desses livros que a gente vê todos os dias surgindo e sumindo por aí. Se vende, aos desavisados como eu, como uma história de amor entre uma cuidadora e seu paciente tetraplégico. Até aí ok. Mas a medida que suas horas de sono diminuem porque você não consegue, simplesmente, parar de ler, você vai percebendo que o livro tá muito além da paixão pouco comum que parece surgir...
Vou começar do começo: sou viciada em trailers. Sim, já procurei grupos de apoio, mas isso não vem ao caso agora. A questão é que eu sou viciada em trailers e qualquer um que aparece eu assisto e assisto às sugestões seguintes até eu perceber que estou atrasada para qualquer coisa. Numa dessas, apareceu para mim o trailer da versão cinematográfica de Como eu era Antes de Você, e com ele um estardalhaço por conta da atriz,a fulaninha lá que é a rainha da porra toda em Game Of thrones (que, por falar nisso, eu não assisto). Curiosa, assisti ao trailer sem esperar muita coisa. Só com ele já senti um arrepio diferente e senti que uma lágrima queria rolar. Imediatamente imaginei que o final para essa história não convencional, seria um clichê, para amenizar os corações aflitos e carentes do mundo todo.
Passaram-se um dias e minha timeline bombou novamente com compartilhamentos deste bendito trailer, acompanhado sempre do cabeçalho “já baixei o livro”. E aí a notícia de que só estrearia em meados de julho ou setembro, não lembro ao certo. Novamente, movida pela curiosidade ( e percebam que tem uma pitada de maria vai com a outras nisso), baixei o bendito livro no ímpeto de saber o que acontecia no final.Comecei a ler dando gostosas risadas, me identificando em alguns atrapalhados aspectos com a protagonista e rendendo deliciosamente cada página até que... até que tudo muda e a calma já não faz parte do processo pois as coisas acontecem e vão acontecendo e você PRE-CI-SA saber como raios isso continua. Pra quem já terminou o livro, pode continuar lendo. Quem não, volte 5 casas.
Esse segundo ponto já te dá ideia do que acontece. Sim, o Will escolhe morrer.No decorrer da trama, Louisa descobre que Will pretende cometer suicídio assistido após o período de seis meses dados por ele aos pais. A função dela na casa é a de alegrar os dias de Will a ponto de fazê-lo desistir do combinada de dar cabo a sua vida. A questão é que: não quero discutir exatamente a narrativa do livro, mas as temáticas que emergem de forma tão sutil à medida que se vai avançando as páginas. Digo sutil pois elas surgem para o leitor na mesma medida que se tornam claras para a própria protagonista. Vou chamar atenção para duas delas:
1. O convívio com pessoas cadeirantes; e
1. O convívio com pessoas cadeirantes; e
2. O suicídio assistido.
Sobre o primeiro ponto, acho bastante legal como a Lou vai se dando conta de como é a vida de um cadeirante que resolve enfrentar a vida em sociedade. E quando eu falo cadeirantes, pode-se generalizar para pessoas com qualquer tipo de deficiência. E o mais legal é que ela se dá conta! Digo isso porque existem pessoa (e eu conheço várias!) que convivem ABSOLUTAMENTE TODOS OS DIAS DA VIDA com pessoas cadeirantes e continuam não percebendo (ou não querendo perceber) como essas limitações afetam na qualidade de vida deles. A minha mãe é cadeirante há mais de 10 anos e toda a geração de primuxos que vieram nesses anos sabem respeitar, valorizar e conviver com pessoas diferentes. Não existe um constrangimento com as rodas, não existe olhar torto e, o melhor de tudo, é que essa forma de lidar é por causa de minha mãe, mas não é exclusivo para ela: eles levam esse aprendizado para fora da família, para fora da porta de casa. E é isso que deveria ser divulgado em ampla escala para o mundo: VIVER COM O DIFERENTE FAZ COM QUE A DIFERENÇA NÃO SEJA SENTIDA. Aliás, faz com que ela seja ENTENDIDA.
E essa dessensibilização vai acontecendo aos poucos com a Lou. O estranhamento inicial causado pela cadeira de Will vai dando espaço a uma convivência sadia e harmônica (com a cadeira, com o will só às vezes.. rsrs). E o mais legal é a evolução disso no decorrer da narrativa, quando ela percebe as barreiras que uma cidade pode se tornar para uma pessoa cadeirante.
Como eu acho que esse texto está ficando extenso e o segundo ponto dá muito pano pra manga, vou comentar sobre ele num próximo post. =)

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