Eu queria me divorciar de mim porque eu sou chata pra caralho.
Eu não sei fazer nada certo, me estresso fácil, me perco no trânsito, me envolvo em ciladas. Eu não gosto mais de mim porque eu sou louca. E eu só sinto distância por estar tão perto de mim. Morro e não ressuscito mais. Caio na tristeza que é me ter sempre com uma nova neurose, quero um pouco de espaço.
Eu me separei de mim porque não aguentava mais tietagem de amor. Desprezei os argumentos desnecessários e as pessoas desnecessárias e os comentários que não fazem falta no fim do dia. O espaço de mim e a solidão dos dias sérios ou vãos são transformados em novos sorrisos. (Onde é que estavam essas pessoas todas que se dizem meus amigos?) Eu sempre fui a vilã da história, admito. Eu me separei de mim porque estava cansada de negar. Negar que estou exausta, triste e com medo. Nego as ideias e loucuras que tenho pra tentar ter sucesso em tudo o que faço e principalmente nego todas as minhas negações. Neguei tanto que cheguei a não reconhecer mais a verdade que estava na minha cara. Disfarço ter nenhuma emoção e eu nem sei se elas existem mesmo (olha aí negando de novo) e eu cansei de mim por fazer tudo parecer tão normal. - Escorregou, caiu, levantou. - Eu deveria saber que a queda machuca, deixa marcas e dói. Onde estão os hematomas? Existe alguém cuidando de mim se nem eu mesma consigo enxergar os estragos que causei? Mas agora ganhei remissão. Estava exausta de viver comigo só que é mais cansativo ainda ter conviver sem ser o que eu sou. Só estou precisando de uns ajustes (até umas cirurgias quem sabe). Só que foi traição demais pedir os papéis de divórcio, não? Falhei na missão me amar e ter orgulho de mim só que foi preciso quase desistir de mim pra eu me encontrar de uma forma bem melhor.
Ai, como eu tava morrendo de saudades de mim. Essa vida chata de gente velha (porque é horrível essa coisa toda de crescer e ter responsabilidades) é como um carrossel. Nunca vai parar e nós não podemos saltar. Eu não posso desistir de mim.
Laila Marques, garota dessa segunda-feira, 04 de novembro de 2013.
Um comentário:
"Isso pode, Arnaldo?"
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