sexta-feira, 8 de novembro de 2013

"Sr. Coelho, espere!!"

“Ergueu-se então e dirigiu-se para o animalzinho, o qual fugiu assustado. Alice disparou atrás. O Coelho meteu-se por uma toca. Alice também, sem refletir que é muito fácil entrar em toca, mas muito difícil sair." Lewis Carroll - Alice no País das Maravilhas

Eu passei a minha vida toda correndo atrás de coelhos brancos que gritavam “é tarde, é tarde, é tarde!”. E eu acreditei cegamente neles. Acreditei que de fato era tarde. Muito tarde. Tarde para amar, para me dedicar, para tentar mudar. Isso antes dos 20. 

Acreditei que era muito tarde para entrar em uma toca escura e cair até o centro da terra. Acreditei que era tarde pra fazer a dança da chuva em volta de uma fogueira. Me convenci que já estava tarde demais para cantar uma bela canção com minha péssima voz em meio as flores.

Todo esse tempo eu acreditei que não tinha tempo. Poupei os melhores minutos da vida com o vazio. Matei o tempo, matei a mim mesma. Deixei o gato sorrindo na noite escura escapar de mim. Não me permiti seguir conselhos de uma lagarta fumando em um narguilé. Não me permiti seguir conselho algum, nem os meus (e olha que eu costumo dar bons conselhos a mim mesma). 

E gastei o resto dos meus minutos me martirizando por isso. 

Não me permiti chorar a dor de estar sozinha, perdida em uma floresta escura, sem saber pra onde ir e nem como voltar. Me podei, simplesmente. Podei por medo, por preguiça. Me podei de pintar as rosas cor de carmim. Não me permiti jogar uma partida de criquet com a rainha, nem me arrisquei a ter a cabeça cortada.

No fim das contas, sonhei. Mas não permiti me entregar. Fui uma sombra no meu próprio sonho. Reneguei a fantasia e, por medo da realidade, reneguei minha própria existência. 
Hoje me sinto velha e nem cheguei aos 30. No final das contas, fui a Alice que nunca dormiu.

Mariana Pedrosa
Sorriso do gato da Alice. Créditos: Sr google.

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