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| Imagem: Sr Google |
"Eu não gosto de você!". Admitiu para si mesma, enquanto travava uma discussão imaginária com ele.
"Não gosto de você!! Não desse jeito que você pensa! Gosto de você como amigo, como companheiro de balada, como diário de cabeceira. Mas não gosto de você DAQUELE jeito... Que jeito? Ora, que jeito! Desse jeito que as pessoas gostam uma das outras nesse sentido não fraterno.
Como assim não entendeu?? Não gosto desse jeito, desse jeito assiiiim, coisado... não gosto! Gosto de você, não sendo daquele jeito que as meninas que ficam com você gostam. Gosto de você do meu jeito, do jeito que eu sei gostar de quem eu gosto! Você me irrita. Porque nunca entende o que eu falo?
Como assim 'claro que entendo'?? Se entendesse não tava com essa cara de bocó e com a mão no queixo como se tivesse tentando decifrar minhas palavras. Eu estou sendo clara. Não gosto de você daquele jeito. Daquele jeito 'vamos ver um filme, ter dois filhos, ir ao parque, discutir Caetano e planejar bobagens'. Gosto só desse. Desse assim, que a gente fica rindo de bobagens, de falar mal dos outros e cantar músicas do arco da velha. Para de rir que nem idiota quando eu falo! Tô falando sério! E não tenta me deixar encabulada! Você não tem esse poder sobre mim. Não tem! Tô dizendo, rapaz, não tem!"
Tinha essa mania, mesmo, de querer ganhar todas as discussões, sobretudo as imaginárias. Veja bem, nas imaginárias. No mundo real, ela só sorria e falava baixinho:
"Pela última vez, não gosto de você. Mas não vai embora! Fica aqui me faz companhia. Vamos rir. Eu gosto e você."

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