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| Imagem: sr Google |
O meu tempo tem um delay. Meu timer é quebrado. Deus deve tê-lo comprado de um coreano baixinho, corcunda e que almoça quentinha de yakisoba na 25 de março. Deve ter sido o preço que o olhos puxados teve que pagar para deixá-lo entrar nos céus.
Meu timer é defeituoso desde que nasci. A única vez que agradeci por esse pequeno erro divino, foi quando conheci a garota de terça. O delay dela é beeeem mais acentuado que o meu. E o dela é visível a olhos nus.
Meu tempo tem um delay. Poderia passar despercebido, mas o problema é que o tempo do mundo não suporta delays. O Sr Universo não espera meu timer apitar. O Sr Universo não tem 3 segundos pra me esperar cada vez que ele lança uma coisa boa. Acaba que eu pego só o eco do tempo. E o eco não é o tempo, é só o eco. Eco é só aquilo que ressoa te fazendo perceber que o real já passou.
Já vi muito o tempo passar. Já desejei intensamente que ele voltasse e trouxesse aquele momento chave para que eu agisse diferente. Ou melhor, para que eu agisse, de qualquer forma. Penso, hoje, que talvez agir, seja de que jeito for, seja melhor que paralisar. Seja melhor que somente pensar.
Quantas vezes me peguei parada diante o mundo tal qual um disléxico diante um texto de poucos parágrafos. Tudo trocado de lugar. Um amontoado de coisas que juntas não fazem sentido nenhum. E eu só passei por cima. Preferi me esconder por trás da minha dislexia existencial.
E por isso, mil vezes chorei. Mil vezes quis bater em mim mesma e me causar muito sofrimento por ser tão lerda, por perder tanto e tantas coisas. Fico imaginando o Sr Universo esmurrando a parede e dizendo "Pô, Mariana, de novo???"
E agora me vejo aqui. Pensando se o universo ainda tem tempo pra mim. Se ele espera eu encontrar em mim mesma algo que conserte esse defeito de fábrica. Ou se ele aguenta esperar eu adquirir um timer novinho em folha com desconto nessa Black Friday.
Mariana Pedrosa

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