E para começar:
"Quem não se fez essa pergunta, fá-la-á em breve, haja vista que, vez ou outra, a uns mais, outros menos, extingue-se a vontade e a perspectiva de futuro.
Não que se deva falar de desânimo pessoal, desmotivação, tristeza ou melancolia. Trata-se do fato de que existir é complicado, mesmo.
Tantos tratam o assunto em livros, textos, como o que este que vos escreve está a tecer, e outras diversas formas. Alguns criam máximas e estas tornam-se famosas.
Mas, à pergunta... Qual o sentido da vida? E aqui, leia ‘vida’ como a palavra que utilizamos para tratarmos nossa existência como nossa qualidade que nos difere da pedra, mas não do esterco do cavalo, que possui grama digerida com células ativas, portanto, vivas.
Quando me fiz essa pergunta, me encontrava num momento que... E aqui abandono toda e qualquer propriedade da linguagem culta e séria que voltarei a utilizar para me expressar sem causar reações diferentes das que desejo. Abro mão, para isso, também, da impessoalidade do texto, e vamos ao momento em que me encontrava e suas expressões casuais que serão utilizadas. (...) Num momento que... Era uma merda!
Voltemos a linguagem culta... Estava a abandonar o emprego que eu mais gostava, fazendo o que eu mais gostava, no que eu fazia melhor e recebendo um bom soldo, para entrar numa nova empreitada que contrariava tudo o que eu gostava e pensava apenas para melhorar o que eu faço bem e complementar esses conhecimentos.
O Novo trabalho seria algo mais difícil, que exigiria mais tempo, comprometimento, mudanças de comportamento e padrão de vida, tudo por um pagamento menor, mas para um dia não perder para ninguém naquilo que gosto de fazer e quero fazer sempre.
As novas qualidade a serem adquiridas transformariam aquilo que era um estudante em um profissional competente em cerca menos de 1 ano. O salário, após isso, cresceria imensamente, junto com as propostas das outras empresas e reconhecimento profissional. Eis que, aqui, justifico o segundo parágrafo do texto e, posso voltar à impessoalidade, após a resposta que me apresentou, e ao assunto inicial, cuja pergunta me fiz às 3h da manhã em cima de uma laje ao fim de uma concretagem vendo um cara que recebe um salário mínimo trabalhando duro desde às 7h do dia anterior, completando suas 20h corridas de trabalho, e, burlando todos os protocolos, leis e decretos de toda e qualquer instituição trabalhista e seus sindicatos: Qual o sentido da vida?
A resposta não tardou a se apresentar. Outro dia, na mesma semana, após flagrar dois pedreiros transando (sim, dois pedreiros. Parece engraçado, mas eu respondi minha pergunta ali mesmo pouco antes de tomar as decisões trabalhistas cabíveis àquele ato em horário e local inapropriado. Leiam: Aquilo era inapropriado. Trabalhar 20h corridas, não.).
A resposta, após eu abandonar um emprego bom por um ruim para trabalhar mais e receber menos em um lugar onde trabalhar por 20h corridas é apropriado e onde eu não ganharia horas extras para isso; tantos fatos contraditórios, a resposta era uma só: A vida não tem sentido!
Se o leitor reparar na sua própria, verá isso acontecer. O roteiro é simples e bem conhecido.
Você nasce.
Você vive.
Você morre.
Cada trecho com sua peculiaridade, porém os fatos em sua visão mais distante, são esses.
Você nasce. Prematuramente, parto normal, cesariana, natimorto (e nesse, podemos resumir a vida inteira do sujeito, em um papelzinho de biscoito da sorte)... Motivo: Seus pais, você sabe...
Você morre. Assassinado, por doenças diversas, morte natural, paradas cardíacas, afogamento, numa câmara de gás de um campo de concentração nazista, em um prédio atingido por aviões sequestrados por árabes mulçumanos, porque bateu a cabeça quando escorregou no banheiro... Motivo: Sua vida lhe conduziu a estar em um lugar ou em condições inapropriadas para o momento e algo aconteceu provocando-a, ou, não lhe conduziu a nada que causasse a morte e você perdeu a validade e faleceu de causa naturais.
Você vive. Aqui, sim, cabe que existem tantas biografias e autobiografias que prefiro ocultar os modos e ir direto ao motivo. Motivo: (...)
Quem souber de um, que fale. O que pode-se dizer, é que, se você já nasceu, só se matará se não tiver um “por quê não?”.
A vida, por si, não tem um motivo. Mas também não tem uma negação a essa. Nesse ponto aparecem os suicidas. Esses tem motivos PARA NÃO VIVER. Viver é apenas uma consequência do nascimento e, aqui coloco minha opinião novamente, não é motivo para a morte.
Você nasce, então já tem que viver. Não é nada além de sua obrigação. Você morre porque um dia acontecerá, cedo ou tarde.
A vida é o que você faz dela. Suas opiniões se formam, seu gosto se apura e se aprimora, suas preferências começam a aparecer e você é conduzido a exercitar a vida e, posteriormente caminhá-la a rumos que lhe facilitam e lhe parece mais cômodo, apenas a fim de obter maior sucesso nisso.
Os acontecimentos no curso moldam a forma de viver, os conjuntos que formarão-se durante sua vida e do conjunto de vidas que a envolvem, serão alteradas, adaptadas, adequadas, inadequadas, reajustadas, readaptadas e realteradas sempre.
Você vive porque faz coisas demais pra pensar em não viver. Além de que o não-viver as vezes não parece tão confortável. Não é que precise de uma razão, causa, motivo ou circunstância.
Viver não precisa de motivo."
Valdisnei Brita
Nenhum comentário:
Postar um comentário