sexta-feira, 30 de agosto de 2013

“A vida não é um filme, você não entendeu!”

Rhett Buttler e Scarleth O'hara em "E o vento levou". Créditos: Sr. Google



Sim. De fato, eu não entendi. E pretendo discordar com a frase título deste singelo post da garota de sexta, no caso, eu mesma. A vida é um filme. Pelo menos a minha parece ser. O problema é que o meu roteirista, (e aqui eu tiro toda e qualquer responsabilidade de cima das minhas costas), gosta de brincar com as personagens da forma que lhe convém. E ouso dizer: que brincadeira estúpida, viu?!?
Desde criança sempre fui apaixonada por contos de fada, filmes de comédia romântica, romances do século XVIII. Sempre quis ouvir aquela música ao fundo, sabe? Aquela música gostosa, entre e Indie e o Alternativo, pássaros azuis cantando, o príncipe encantado chegando em seu cavalo branco estendendo suas belas mãos para mim.
Bem, eu sei que não é bem assim. Queria eu que fosse o maaaaaais parecido possível, mas eu conheço essa tal REALIDADE. A realidade mesmo, não a minha psíquica. E naquela dita cuja, as coisas acontecem de uma forma, como posso dizer...peculiar.
Como dizer que não vivo em um conto de fadas se faço trabalhos domésticos todos os dias, igual a Cinderela; durmo feito uma condenada, como a Bela Adormecida; devaneio horrores, igual a Alice; já beijei muito sapo por aí; e sempre, sempre, sempre me apaixono pelas feras.
Honestamente, a cada palavra que escrevo me dou conta que estou mesmo em um filme. Bem, um filmezinho meia boca, produção de baixo custo, mas, de qualquer forma, em um filme. Sou a atriz principal. Desconfio que o roteirista não vai muito com a minha cara. Talvez, num passado (não muito) distante, nós tivemos um caso que não terminou da melhor forma. Provavelmente ele chorou. Me amou muito, mas não foi corajoso o suficiente pra assumir as conseqüências de um relacionamento sério. Provavelmente ele chorou mais.
O problema é que ele não me deixa ler os roteiros até o fim, pra eu ter, pelo menos, uma noção do que vai acontecer. No sábado, por exemplo, fui a uma festa na piscina. Piscina, Beatles e vinho. Queria eu coisa melhor? “Acho que começamos a nos acertar”, pensei. De sacanagem (e provavelmente ele deve ter ficado atrás de algum carro rindo enlouquecidamente de mim), ele colocou cloro além do normal na piscina. Só percebi isso quando cheguei em casa e não consegui pentear o cabelo, mesmo depois de três lavagens e quase 2 kg de creme.
“Sábado, a noite é uma criança! Foda-se o cabelo! Vamos curtir”. Tinha isso no roteiro. E de alguma forma internalizado em mim. Pelo menos tive uma fada madrinha, que me fez uma belíssima trança e me arrumou. “As melhores festas são aquelas nas quais não depositamos nenhuma expectativa”, disse a coadjuvante, minha irmã. “Sábias palavras’, pensei. E cai na farra. Salto alto, pernas de fora, blusa brilhante.

Cenário: porta da festa.

Take 1: AÇÃO!!!!

O salto quebra. Sim! O salto. SAL-TO. SAL-SAL-TO-TO. Salto.

“Agora é o momento que entra o cara lindo que vai me ajudar, pagar uma bebida e conversaremos a noite toda”. Olhei para os dois lados. Avistei alguém. Um cara simpático: estava chorando de rir de mim. Nem se aproximou.
Entrei mancando, corri para o banheiro. Encaixei o salto, mas ele caiu de novo. Minha fada madrinha disse que me levaria pra casa.
E aqui acabam as cenas de mau gosto? Talvez você esteja se perguntando. Não te julgo! Me perguntei a mesma coisa. E a resposta é: NÃO.
Repetindo um clichêzão de filmes de comédia romântica, sai de costas do recinto, me despedindo das amigas. Em um movimento brusco, cotovelada na barriga de um rapaz. Na intenção de pedir desculpas, a mão foi no nariz do rapaz. Coberta da manta da vergonha, o abracei pedindo desculpas. Poderia aqui acontecer o amor: olhos se encontrarem, sorrisos esboçados no canto dos lábios demonstrando perdão e nobreza. Em vez disso, apenas um grito: “FILHA DA PUUUUUUUTAAA!!!!”.  

“Simpático esse rapaz!”, pensei.

Agoniada, corri. Entrei no carro e disse: “passei por uma situação chata agora!!”. 

“E eu uma agora com uma desconhecida entrando no meu carro!! Fora daqui!!”, disse um senhor não muito feliz por eu estar no carro errado...

Pensando melhor, bem que o roteirista poderia ser Deus. Nesse caso, desculpa Senhor, MAS QUE SACANAGEM É ESSA COMIGO??? 


Ska - Paralamas do Sucesso. Videozinho para ilustrar o título do post.




Até sexta!! Mariana Pedrosa

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