segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Das palavras

Foto: Eu me chamo Antônio

(Eu não sei se esse texto faz algum sentido)



Terminei o café. Li todas as páginas dos jornais. É dia de encontrar sobre a mesa os de sábado, domingo e segunda. Chego mais cedo só para o prazer de ler. Abro a porta daquele lugar, é hora de receber as pessoas. Novos perfumes, cores e dizeres. Sotaques e a confusão que se forma na minha cabeça. Pontos cegos e olhares. Olhares. Olhar me atrai. E por um breve segundo de cinco minutos eu me perco nas entrelinhas do viver.

É quase uma infinidade. E é infinito porque causa a dimensão de ser vivido por toda a vida até o momento em que você é surpreendido pelo telefone tocando e seu chefe falando. Linha tênue entre viver e sobreviver. Mas foi uma infinidade de sentimentos que te resgataram do casual. É normal. Ser surpreendido é natural. Ser arrancado do corpo, não. Exige uma conexão.

Outrora conversava amargurada e chateada, coisa de menina cabeça dura. Não é todo dia que aceitamos condições impostas e uma boa briga é inevitável. Lembrei da infância e da vontade de agir diferente de todos os adultos que observava. Lembro das promessas “Não serei uma pessoa fria, não serei uma mulher louca”.

Mas todas as lembranças de nossas promessas são apagadas quando nosso orgulho é ferido. E eu nem estava tão chateada assim. Subitamente fui assaltada por um abraço seguido de beijo. Parece clichê, e foi. Mas a brevidade de nossas existências nos permite esses momentos onde o chão se abre e as luzes se apagam. Mas ainda assim é difícil libertar quem se ama quando não conseguimos perdoar a nós mesmos ou quando deixamos esses momentos passarem.

Na semana passada fui submetida a uma enxurrada de insignificâncias do viver plenamente. Era segunda-feira, eu estava atrasada, o carro pregou, a conta atrasou. Eu não precisava de conselhos, nem de alguém pra passar a mão na cabeça. Eu só queria resolver o problema. Afinal, é tudo o que nós fazemos: resolvemos os problemas – Quando não somos o problema.

Era o estresse que me fazia querer quebrar tudo e desistir de fazer com que tudo funcionasse do meu jeito. Perdemos-nos de nossos amigos assim, na agonia de nossos padrões e em nossas exigências. Eu tinha o céu estrelado e olhava pro chão poluído. Uma voz doce me surpreende entre tantas tarefas “Minha menina, você é uma boa filha”. Parece tão simples, mas sempre tem algo simples que te arranca do pesadelo de sobreviver. E eu pude viver. E contemplar as estrelas e talvez eu tenha feito um pedido aos céus. Eu só precisava de algo que me arrebatasse.

O que te arrebata? Os problemas não são as segundas, são as nossas negligências e a nossa mania de culpar algo pela futilidade de coisas que nos acometem e a grandiosa vida problemática que acontece na casa de todo mundo.

De seu trabalho e seus problemas eu sei, mas das palavras eu só sei que faltarão quando você perceber que sempre há um motivo pra continuar a caminhar e te fazer sorrir.

O que te fez feliz hoje?

Laila Marques

Felicidade - Marcelo Jeneci

Beijos, até segunda que vem. Já estou com saudades. 

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