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| Rhett Buttler e Scarleth O'hara em "E o vento levou". Créditos: Sr. Google |
Sim. De fato, eu não entendi. E
pretendo discordar com a frase título deste singelo post da garota de sexta, no
caso, eu mesma. A vida é um filme. Pelo menos a minha parece ser. O problema é que o meu
roteirista, (e aqui eu tiro toda e qualquer responsabilidade de cima das minhas
costas), gosta de brincar com as personagens da forma que lhe convém. E ouso
dizer: que brincadeira estúpida, viu?!?
Desde criança sempre fui
apaixonada por contos de fada, filmes de comédia romântica, romances do século
XVIII. Sempre quis ouvir aquela música ao fundo, sabe? Aquela música gostosa,
entre e Indie e o Alternativo, pássaros azuis cantando, o príncipe encantado
chegando em seu cavalo branco estendendo suas belas mãos para mim.
Bem, eu sei que não é bem assim.
Queria eu que fosse o maaaaaais parecido possível, mas eu conheço essa tal
REALIDADE. A realidade mesmo, não a minha psíquica. E naquela dita cuja, as
coisas acontecem de uma forma, como posso dizer...peculiar.
Como dizer que não vivo em um
conto de fadas se faço trabalhos domésticos todos os dias, igual a Cinderela; durmo
feito uma condenada, como a Bela Adormecida; devaneio horrores, igual a Alice; já
beijei muito sapo por aí; e sempre, sempre, sempre me apaixono pelas feras.
Honestamente, a cada palavra que
escrevo me dou conta que estou mesmo em um filme. Bem, um filmezinho meia boca,
produção de baixo custo, mas, de qualquer forma, em um filme. Sou a atriz
principal. Desconfio que o roteirista não vai muito com a minha cara. Talvez,
num passado (não muito) distante, nós tivemos um caso que não terminou da
melhor forma. Provavelmente ele chorou. Me amou muito, mas não foi corajoso o
suficiente pra assumir as conseqüências de um relacionamento sério.
Provavelmente ele chorou mais.
O problema é que ele não me deixa
ler os roteiros até o fim, pra eu ter, pelo menos, uma noção do que vai
acontecer. No sábado, por exemplo, fui a uma festa na piscina. Piscina, Beatles
e vinho. Queria eu coisa melhor? “Acho que começamos a nos acertar”, pensei. De
sacanagem (e provavelmente ele deve ter ficado atrás de algum carro rindo enlouquecidamente
de mim), ele colocou cloro além do normal na piscina. Só percebi isso quando
cheguei em casa e não consegui pentear o cabelo, mesmo depois de três lavagens
e quase 2 kg de creme.
“Sábado, a noite é uma criança!
Foda-se o cabelo! Vamos curtir”. Tinha isso no roteiro. E de alguma forma
internalizado em mim. Pelo menos tive uma fada madrinha, que me fez uma
belíssima trança e me arrumou. “As melhores festas são aquelas nas quais não
depositamos nenhuma expectativa”, disse a coadjuvante, minha irmã. “Sábias
palavras’, pensei. E cai na farra. Salto alto, pernas de fora, blusa brilhante.
Cenário: porta da festa.
Take 1: AÇÃO!!!!
O salto quebra. Sim! O salto. SAL-TO. SAL-SAL-TO-TO. Salto.
“Agora é o momento que entra o
cara lindo que vai me ajudar, pagar uma bebida e conversaremos a noite toda”.
Olhei para os dois lados. Avistei alguém. Um cara simpático: estava chorando de
rir de mim. Nem se aproximou.
Entrei mancando, corri para o
banheiro. Encaixei o salto, mas ele caiu de novo. Minha fada madrinha disse que
me levaria pra casa.
E aqui acabam as cenas de mau
gosto? Talvez você esteja se perguntando. Não te julgo! Me perguntei a mesma
coisa. E a resposta é: NÃO.
Repetindo um clichêzão de filmes
de comédia romântica, sai de costas do recinto, me despedindo das amigas. Em um
movimento brusco, cotovelada na barriga de um rapaz. Na intenção de pedir
desculpas, a mão foi no nariz do rapaz. Coberta da manta da vergonha, o abracei
pedindo desculpas. Poderia aqui acontecer o amor: olhos se encontrarem,
sorrisos esboçados no canto dos lábios demonstrando perdão e nobreza. Em vez
disso, apenas um grito: “FILHA DA PUUUUUUUTAAA!!!!”.
“Simpático esse rapaz!”, pensei.
Agoniada, corri. Entrei no carro
e disse: “passei por uma situação chata agora!!”.
“E eu uma agora com uma
desconhecida entrando no meu carro!! Fora daqui!!”, disse um senhor não muito
feliz por eu estar no carro errado...
Pensando melhor, bem que o roteirista poderia ser Deus. Nesse caso, desculpa Senhor, MAS QUE SACANAGEM É ESSA COMIGO???
Ska - Paralamas do Sucesso. Videozinho para ilustrar o título do post.
Até sexta!! Mariana Pedrosa

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