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| Imagem: sr. Google |
As mãos tremiam tanto segurando aquela pequena barra de plástico que ela simplesmente não conteve o fluxo das lágrimas. Grande parte de si alegrava-se ao ver aqueles dois tracinhos cor de rosa, que para ela piscavam como neon, mas logo um balde de água fria caia sobre o sonho e a despertava para o choque da realidade.
Como dois traços poderiam mudar a vida de uma pessoa daquela forma? Como e por quê o frescor e prazer que a juventude nos apresenta pode ser tão deliciosamente venenoso a ponto de nos fazer esquecer das consequências e nos ligar única e exclusivamente ao momento? "Tá feita a merda", ela pensava compulsivamente, enquanto, sem perceber, fazia movimentos estereotipados, sentada com as mãos apoiadas no sanitário. "Não é como eu sonhei! Será que vai dar certo? O que eu faço, Senhor?" Perguntas, dúvidas e mais dúvidas pairavam sob aquela cabeça. Nunca uma mente humana fora capaz de produzir tantos pensamentos interrogativos sobre o futuro quanto a dela naquela segunda feira chuvosa. Pensou nos pais, nos avós, nos sogros, pensou em todo sermão que iria levar até o fim da vida. Seu último pensamento do dia foi em como ela contaria aquilo pra mãe. Pior que contar a mãe seria a mãe contar ao pai. O pai ao avô e o avô a avó. Uma linha muito muito tênue de nervos aflorados. O peso que sentia nas costas devido à culpa ainda era muito superior ao que carregava em seu ventre. A alegria da gestação ainda estava escondida por trás do pano negro do medo. Medo, tristeza, decepção, talvez não consigo mesma, mas com a imagem que a família tinha de boa moça, naqueles moldes bem tradicionais. E isso a entristeceu a ponto que pensar em fazer uma besteira.
Olhou novamente para as duas barrinhas. aquelas duas barrinhas significavam mais que gotas de tinta rosa. Aquelas duas barrinhas significavam uma vida. E isso a fez sorrir. A fez pensar que aqueles 9 meses tensos se transformariam em um amor incondicional e em tias babonas. Em choros e fraudas na madrugada. Em consultas periódicas e banhos de sol. Em amar tanto uma pessoa a ponto de querer dar sua vida por ela. E isso a fez sorrir e pensar "e isso é tudo o que eu sempre quis".
E simplesmente, respirou. Aliviada. Teve certeza que, passando a tempestade, a bonança traria amigas ficando grávidas juntas, uma família acolhedora e um bebê muito, muito amado.

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