Eu nasci em um lugar complicado. Minha família é singular e irreparável.
Complicado, eu digo, não por conflitos, mas pela forma de reparar no mundo e de conviver com ele.
Eu, indecisa, levo um mundo onde a indecência não poderia fazer parte do meu vocabulário.- Não poderia. Por isso, família é complicada. Hoje eu sou igualzinha meu pai, ontem tava cuspida e escarrada mamãe. Amanhã posso cometer uma irresponsabilidade de adolescente tipo o meu irmão, mas no final do dia eu sou só eu e um resultado de mundos completamente distintos.
Semana passada eu vivi muita emoção boa e ruim. E, eu acho, que foi pouco tempo pra ter essa alucinação toda. Essas emoções que me afogam e me arrebatam.
Vida, além de vadia, é efêmera. E eu tenho pelo menos uma ideia do que eu tô fazendo dela. Vida, além de escrota, é passageira. E dessa má criação a gente não pode fazer nada. Só aceitar.
Aceitar é bem mais difícil do que costumava ser mas eu já aceitei tanta condição pra chegar aqui que não permito ter tanta aceitação negativa por conta dos outros. Deu pra me entender?
Vida passa rápido demais. E ela chora, ou melhor, eu choro pela falta dela. E sofro porque a morte eu não aprendi a aceitar.
A vida é uma indecência que muita gente quer conhecer. As faces dela que eu já vi e provei me tornam a pessoa cada vez menos como eu era, como projetava ser e cada vez mais como gosto e deveria ser.
Nascer e crescer são singulares, assim como minha família é, assim como o meu mundo tá começando a se tornar.
Os amigos são preciosidades que o tempo (outro vadio) leva, deixa ou traz de volta. Eu sempre fiz de tudo pra manter por perto mas ninguém é amigo sozinho. Minhas raízes estão em minha fé e nas pessoas bem próximas. Elas estão lá, sempre estão, embora a sede e a vontade de surpreender o meu mundo indecente seja maior que a vontade de ficar. Por hora, tenho um caminho. Tenho família e amigos e o prazer de dizer a importância de cada um deles pra mim. No mais, to expondo que tô pronta pro que vier, dando a cara a tapa pro que acredito ser o melhor. E a qualquer dia desses eu vou nascer e crescer novamente e eu não posso saber quando ou como.
Beijos da preta.
Nenhum comentário:
Postar um comentário