sexta-feira, 7 de março de 2014

Sobre o medo de rugas.

Ibagens: Sr, Google

Quase todo o Brasil alega que o ano só começa, de fato, depois do Carnaval. E eis que o carnaval acabou ontem. O.ano começa, então, meados de março. O que torna dois meses perdidos no espaço, já que 2013 terminou em dezembro e 2014 só começa 10 de março. 
Há alguns pouquíssimos anos atrás, isso não seria motivo de preocupação alguma para mim. Ano após ano. A vida era só um amontoado de dias em que ora eu me divertia, ora não. Hoje, mal começou março e eu já temo o abril. O por quê disso é simples: completo mais uma primavera neste mês. E de uns tempos pra cá tem se tornado realmente sombrio o passar dos anos. Mais vadia que a vida, só o tempo. O tempo passa e te traz rugas. Físicas mesmos. A sensação de estar envelhecendo e não ter poder sobre isso é devastador. 
Dia desses eu voltava para casa e fiquei em pé ao lado de uma senhora de seus quase 60 anos. Mãos enrugadas, cabelos brancos, olhar caído. Entrei em pânico. Pensei que daqui há alguns poucos e rápidos anos, serei eu. Serei eu a figura envelhecida que apavorará alguma jovem formanda em crise de identidade. Juro que quase chorei. 
Pensei em como deve ser triste se olhar no espelho e não ver mais o aquilo da juventude. Sei lá, o frescor, a liberdade, o brilho e todos esses outros clichês que a gente ouve nos filmes. Isso de poder fazer qualquqer coisa do mundo, sobretudo sonhar; aquela sensação de que o mundo é seu e que nada de ruim acontecerá se eu resolver pular de paraquedas ou, simplesmente, resolver ser uma acionista da bolsa de valores.
Só que o medo maior, conclui depois de muito martelar sobre, não é de enrugar a face, nem de tremer as mãos. É de me olhar no espelho e ver que cheguei a velhice em vão. De que não aproveitei os tais dias do frescor, brilho e liberdade. De olhar pra trás e ver apenas meios caminhos percorridos, ou até descaminhos. De ter levado muito a sério o que era graça e ter levado na graça tudo que foi sério. O medo de envelhecer é de ser uma daquelas tiazinhas ranzinzas por sempre ter deixado pra depois o que era de agora e ter perdido de forna consciente muitas oportunidades. 
Porque se você sente que tá vivendo, acho que nem o espelho é capaz de te provar que você está com rugas...

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