quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Um Dia de Nada.

Hello my guys!
Desculpem não ter aparecido na Quinta passada, eu tava sem PC. (Todas choram)
Mas cá estou, com minha narrativa sobre os dias de nada que muitos ao meu redor tem vivido. São pedaços de relatos ao meu redor e um desses pedaços é meu, claro e óbvio!
Então, antes que acabe mais este dia...

"Ia compassada a noite adentro.  Ela e todas as suas angústias, sentou-se na janela e pôs-se a olhar para cima como quem de lá espera uma resposta.
Tentava juntar os cacos da sua vida quebrada. “Onde eu arranjei tantos cacos?!” ela se perguntava curiosa.
Há dias que vinha arrastando manhã após manhã como correntes, sofrível como Atlas em seu castigo. Não sentia a mínima vontade de levantar da cama pela manhã e nada que acontecia ao seu redor parecia bom o suficiente para se alegrar.
Ainda sofria com a ditatura da felicidade que impera que você tem que ser feliz. Não importa quantas feridas e angústias você tenha, você não pode reclamar. Ela se via obrigada, então, a levantar e encarar a vida como se estivesse tudo bem. E nada estava bem, a vida insistentemente tripudiava em sua cara.
Tinha momentos de uma felicidade amena, depois culpa por ter bebido demais e ter dito ou feito besteiras. Depois dor de cabeça, sede incontrolável, mal estar. Sono. Cansaço. Remendos. Felicidade amena. Era um ciclo que lhe trazia um mínimo de segurança. Falha, errada e torpe, mas era o máximo que conseguia.
Se via obrigada a caminhar. Caminhar sempre. Mesmo porque a vida não lhe oferecia a opção “volte um casa e desfaça a cagada que você fez” nem “avance uma casa e descubra o futuro brilhante que te aguarda”. Dessa forma, ela só podia se submeter ao Jogo como uma peça insignificante e sem vontade.
O vazio dentro de si era tão grande que às vezes tinha a sensação de que lhe engoliria. Isso pra não falar do medo que volta e meia lhe abraçava e lhe deixava com mãos suadas e um coração a ponto de explodir.
As noites insones já eram incontáveis. 1, 2, 3... até que perdeu a conta e pôs-se a tomar remédios que lhe provocassem sonolência. Tinha medo de dormir e sonhar, porque se não bastasse a vida de merda, os sonhos eram igualmente de merda. Ainda assim, dormir era seu conforto, sua melhor opção ao fim de um dia de nada.
Não queria ter o trabalho de conhecer gente nova. Os seus velhos lhe bastavam, e como bastavam, não conseguia nem imaginar-se encarando aqueles dias sombrios sem os fios e luz que seus amados lhe traziam um dia aqui outro ali.
E se fechava. Sua muralha ia alta, cada vez maior. E ela já nem se importava com isso. Contando que sorrisse, os outros também não iriam se importar.
E caminhava.
Se perguntava para onde tinha ido seu frescor juvenil. Não dizem que jovens tem um brilho e vivacidade natural?! Ela não sabia onde tinham enfiado a juventude dela, mas ela pedia encarecidamente que alguém a devolvesse. Precisava se empolgar novamente com coisas simples e como era difícil!
Aquela noite era fria e solitária, como todas as outras em que ela se via rodeada de pessoas. Mastigava a solidão dia a dia, sabendo que naquela estrada ela devia passar só.
O céu estava sem nenhuma estrela e a lua estava embaçada. Até o céu estava zombando da cara dela. E ela fechou as janelas, agradeceu por mais um dia de nada ter acabado, mais um comprimido e dormiu."

Depois desta leitura, convido você minha amiga, meu amigo, que tem vivido esses dias de nada à um brinde. Ergam suas taças e bebamos sem nada à celebrar. o/

Mais uma coisa, texto dedicado à elas, que me amam, me suportam ~ de suporte mesmo ~ , que me ouvem, que me escrevem, que navegam ao meu lado, que me fazem rir, me fazem chorar, que não me obrigam a ser feliz... Elas que são eu também: Mariana e Liana! 

Então, bom resto de Quinta, bom fim de semana. E que não seja de nada.

Beijos e até a próxima.

Enezita Vieira.


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