Repudiando à solidão, chega Bruno Serra, nosso célebre amigo com alma de escritor, dessa forma queremos tomar um café com ele.
Repúdio à solidão
"São tempos difíceis para quem um dia escolheu viver na solidão. Tenho me dado conta de que preciso dos outros porque sozinho não me suporto. Não me suporto porque sozinho sou capaz de ouvir os pensamentos obscuros e sinceros que me perturbam como uma proposta para o suicídio... Suicídio moral, não o orgânico! Isso porque sozinho sou tão covarde que não consigo tirar minha própria vida sem que eu tenha que ditar meu epitáfio antes, para o meu melhor amigo que não está presente nesse momento. Como não sei o que significo para os outros, não sei o que escrever ali, por isso não morro, ou melhor, não mato o que tem dentro de mim.
Não querer estar sozinho pode significar tentar encontrar alguma cor na palidez da minha alma, a qual não reflete nem meus piores desejos. Meus desejos precisam ser ditos, sonhados, lembrados, falados... Pra quem? Pra quem suporta, porque sozinho não sou capaz de me suportar quanto mais sustentar aquilo que mais fere, aflige, sufoca, rodeia, cospe na cara...
Ninguém gosta de pagar o preço da solidão sem antes experimentar a dor de ser esquecido, ser deixado pra trás, de não ter sido tolerado, aguentado, contagiado, lembrado, amado... Ah! O amor! O grande inimigo da solidão. Se bem que amar sozinho é possível, isso é fato, mas sustentar um amor na solidão é muito, muito mais sofrível do que a insônia repentina após um pesadelo desnecessário. Se a solidão fosse um personagem de romance seria a antagonista que procura desesperadamente ferrar com a minha probabilidade de encontrar o ‘viveram felizes para sempre’.
O interessante é que quando estou sozinho, não adiantam músicas, poemas, leituras, escrever histórias, lembrar causos, sorrir das mancadas do dia anterior... Minutos depois me pego enquadrando a minha imagem numa teoria do caos. Aproveito pra rever todos os meus contatos, com quais eu posso realmente contar e ligar a fim de receber um fio de esperança de suplantar essa falta... Falta? Que falta? Na solidão, o que não faltam são motivos para justificar a minha incapacidade de me movimentar, daí me apego em teorias pra me convencer de que isso é constitutivo, necessário, tão profundo que mal seria capaz de entender.
Não me envergonho de dizer que sou um solitário nato. Por mais coisas que eu tenha pra fazer, por mais pessoas que eu conheça, chego à conclusão de que a solidão é um sintoma, no qual eu me agarro para não ter a hombridade de escrever minha história no mundo e de me inscrever nela. O meu mundo tem sido um quarto, uma tela, um quadro, um livro, um filme, uma música, um curto espaço de tempo... Ainda bem que existem reticências, para significar que existem coisas que não consigo escrever porque sequer passam pela minha cabeça, inclusive o motivo de me sentir tão só...
O pior de repudiar a solidão, é que essa dita cuja não deixa de se manifestar nem nesse momento em que eu estou odiando-a, humilhando-a, consumindo-a, tentando destruí-la... Ela faz questão de mostrar que está no controle desse fluxo de pensamentos obscuros. E não adianta gritar, espernear, revirar mesas, sufocar, esquecer, a solidão sempre vai existir em algum momento porque ela me faz querer ser escritor, louco, poeta, livre, cronista, presunçoso, melancólico... E atire o primeiro lenço de papel, o primeiro livro manchado de lágrimas, o primeiro travesseiro quem nunca se sentiu assim... "
Pessoalmente, eu amei. Espero que tenham gostado também.
Bom resto de domingo, uma ótima semana pá nois.
Beijo sociedade.
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