"Lá estava eu, em meio a multidão, gritando, marchando, protestando pelo meu direito de ficar na minha. De ficar quieta, no meu canto, sem falar, sem me mover. Parada apenas. Deitada em um sofá, visivelmente na minha zona de conforto. Afinal, é um direito inalienável querer manter-se na ignorância. É um refúgio confortável, bondoso. Aceitar a lerdeza dos dias e dos pensamentos, andar somente quando for realmente preciso, se for realmente preciso. Os infortúnios da vida monótona são presentes , na verdade. Aceitar os apelos do destino que necessita de movimentos e executá-los de forma calma e vagarosa, tal qual a tartaruga que vence a lebre só andando bem devagarinho (muito embora eu desconfie que a moral da história não seja realmente essa). Direitos meus. Eu luto por eles. Quero vencer na vida, mas quero que seja devagarinho, sem muito esforço, sem pensar demais. Quero vencer a lebre.
Me diz: É pedir demais?? É?
Custava alguma coisa a vida ser só um pouquinho mais fácil, com mais gelatinas e jujubas? Custava a vida parecer com um clipe da Kate Perry, com pessoas nuas, pulando em piscinas e vencendo seus traumas, medos e inseguranças antes do quarto minuto da música? Custava ser só um pouco mais parecida com filmes de comédia romântica, só que sem acabar bem no "felizes pra sempre", sendo "felizes pra sempre" pra sempre mesmo, até a morte? Custava, vida? Custava?
Ao que tudo indica, custa sim. E caro. Custa mais caro que querer ganhar a vida lutando, ou trapaceando. Ficar parada vendo a vida passar, sentindo o peso dos próprios comportamentos e atitudes nos pés, tal qual uma âncora jogada ao mar, torna-se muito, mais muito mais caro que qualquer caos de um Titanic afundando. Movimento é vida. Ser/ficar parado só irrita mais a vida, que te destrói em pedaços numa questão de segundos, basta você vacilar e esquecer de ligar o alerta.
É caros, a vida é a nossa maior analista. E sendo uma analista, como diz a garota da terça, ela é sagaz como o demônio...
Mariana Pedrosa
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