Oi gente, é madrugada e eu tô aqui, boladona, sentada na esquina... Mentira.
Mas enfim, como vocês estão?
Eu tô com sérios problemas para dormir hoje, então aproveito este tempinho, esta chuvinha e dou pra vocês minhas confabulações.
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Quando eu tinha 15 anos eu jurava que a vida adulta era o máximo. E, entre outras coisas, acreditava que na idade que tenho agora estaria formada e preparando uma linda festa de casamento, pois aos 15 anos meu mundo era cor-de-rosa e perfeito e meu maior problema era usar óculos e aparelho e o garoto mais bonito da escola não olhar pra mim.
Aos 15 anos eu tinha certezas inquestionáveis e uma inocência que eu admiro. Aos 15 eu achava que sabia de tudo e acreditava em amor pra vida inteira. Aos 15 eu nem imaginava – não realmente – os 22.
Aos 15 o mundo era uma fábrica de realização de desejos. Aos 15 eu projetava sair da casa da minha mãe apenas casada com o único e eterno amor da minha vida e para uma mansão belíssima porque eu seria médica, afinal.
Aos 15 eu era obrigada a ser feliz e mesmo não sendo, eu fingia.
Aos 15, entre outras coisas, eu acreditava. Sempre.
Crescer me arrancou os pedaços bons. Crescer é levar diariamente uma surra da vida, que te mostra que os 15 anos já passaram há tempos e ao contrário, a vida é uma fábrica de desgraças.
A vida adulta é uma droga! E casamento não é a coisa mais importante do mundo. E amor não tem obrigação de ser pra vida inteira, ele pode durar meia hora.
O maior problema hoje é o simples fato de ter que levantar para encarar toda a rotina de merda que temos. E isso é um caminho só. E o menino lindo da escola, você manda a puta que o pariu, essas coisas ao menos ficaram mais simples de resolver.
Hoje, adulta, o projeto de sair de casa é real: para um cubículo qualquer, rachando despesas com os desconhecidos que você julga conhecer. Afinal, a mãe que eu julgava ser super poderosa não pode me sustentar a vida toda então, o peso do “tome conta da sua vida” começa a aparecer.
Hoje eu não sou médica porcaria nenhuma. Bati o pé aos 17 anos para fazer o que eu amo. E o que eu amo, mais me arruína do que me ergue e eu perco o sono tentando descobrir o motivo das minhas escolhas.
E sim, hoje tem as escolhas. As MINHAS escolhas. Ninguém mais pode responder por mim, e nem por você, lide com isso.
Hoje tem banco, tem cartão, tem professor/orientador/supervisor, tem chefe, tem insônia, tem ônibus lotado, tem dor aqui, dor ali... hoje 24 horas são poucas e em alguns dias eu as julgo completamente desnecessárias.
Hoje a felicidade são pedaços. E eu já não me sinto nem um pouco obrigada a ser feliz, como manda o social. A vida, por vezes, é uma merda e eu não me obrigo a sorrir pra ela.
Hoje eu questiono minhas certezas inquestionáveis e descobri que acreditar nem sempre é o mais importante. Foi a dúvida que me fez alcançar algumas certezas.
Hoje eu não molho mais o travesseiro com minhas lágrimas. Eu as engulo em uma roda de amigos, com um pouco de álcool, comida que faz mal, conversa alta e riso solto... E ainda bem que esses momentos existem.
Hoje eu tenho calos, feridas, um cansaço que..., um espelho que aponta o abismo do meu eu... E tenho também mais sensatez para pensar nesse tal de futuro.
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Então gente, é isso.
Quinta tem mais de mim.
Dois beijos. Até.
Enezita Vieira.