quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Sobre esses dias de merda.

Eu senti o cheiro de chuva. Olhei pelas frestas da porta e nada. Nem sinal de chuva. Só tinha vento. Vento forte, geladinho e meio barulhento. Só vi folhas dançando na noite escura sob a luz amarelada do poste. Por um instante senti inveja da dança das folhas. Tão inocentes, tão puras... Parece que elas não sabem que caíram, não se deram conta de que virarão lixo em pouco tempo.
Não é maldade, não. É só amargura mesmo. Parece que o tempo me envelheceu e levou meu bom humor. Virei uma velha ranzinza e reclamona antes dos 30. Só decorrência dos dias de merda em que estamos vivendo.
É uma realidade dura e seca, que queima crianças inocentes em praça pública, impõe um medo soberano e nos governa com mãos de ferro, sem amor, ou açúcar.
Só cansei. Cansei por não saber o que fazer. Por saber e me sentir de mãos atadas.

Só me deixem dormir um pouco, por favor.

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