terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Coisas da Vida

Ah, olá de volta. Sei que se passou muito tempo e eu deveria estar arrependida e jurando nunca repetir meu desaparecimento. Seria muito estranho se eu garantisse que não estou? Sim, seria. Mas garanto. Não estou. E não me sinto assim simplesmente pelo fato de que existe uma - ou muitas - explicação - ou no plural - pra tudo isso. Mas não se preocupem, não gastarei seu tempo vomitando impropérios. Mas, sabe como é, são coisas da vida...

Houve um tempo, num passado muito distante, em que as coisas faziam sentido. Realmente faziam, quero dizer, eu tinha a impressão de que todas as coisas eram muito, muito boas. Que todas as coisas dariam certo e nunca faltava vontade de correr um risco ou outro. Talvez fosse por conta da pouca idade, talvez fosse por conta da enorme possibilidade que todas as coisas representavam, mas, fosse pelo que fosse, o fato inegável é que a vida parecia muito melhor.

Mas acontece uma coisa muito estranha com você à medida que se vai permitindo que a vida aconteça. O que acontece? A vida. A vida acontece. 

Embora eu não seja exatamente pessimista, nem deprimida, nem velha, nem suicida, acho que entendi que enxergar as coisas ao redor do mundo como se fossem um quebra-cabeças bem encaixado e perfeito não ajuda em muita coisa. Na verdade, maturidade talvez seja sinônimo de entender que as coisas não irão acontecer do modo que você planejou e ainda assim conseguir se levantar da cama. Se é nisso que você está pensando, não, se o conceito for esse não posso ser definida como a mais madura das pessoas. Mas perceber já é um passo. Não é?

Não entendo, realmente, o tipo de gente que proclama por aí que a vida é maravilhosa. A vida é uma cadela, e é bom que saibamos disso a tempo de construir nossos planos B. A única coisa maravilhosa em tudo isso é a capacidade que desenvolvemos de nos recompor. Mas a vida, juro, ela nem liga pra você.

A vida continua. 

A vida sempre continua, o que é um completo absurdo, na minha opinião. A vida deveria ter a dignidade de parar um pouquinho, nos olhar nos olhos e pedir sinceras desculpas. A vida deveria sentir muito, deveria prometer que tentaria mudar, mesmo que fosse uma mentira deslavada. Ela deveria ter, ao menos, a dignidade de nos oferecer sorrisos tortos e tapinhas nos ombros.

Mas a vida não faz isso. A vida não se deixa intimidar pela nossa falta de sorte, nossa dor de coluna e nossa falta de vontade de fazer qualquer coisa além de mudar o canal da TV. A vida continua, apesar de tudo. Ela sempre segue. 

A vida é uma vadia. 

Nunca me ligou no dia seguinte.

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