sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Delay

Imagem: sr Google
O meu tempo tem um delay. Meu timer é quebrado. Deus deve tê-lo comprado de um coreano baixinho, corcunda e que almoça quentinha de yakisoba na 25 de março. Deve ter sido o preço que o olhos puxados teve que pagar para deixá-lo entrar nos céus. 
Meu timer é defeituoso desde que nasci. A única vez que agradeci por esse pequeno erro divino, foi quando conheci a garota de terça. O delay dela é beeeem mais acentuado que o meu. E o dela é visível a olhos nus. 
Meu tempo tem um delay. Poderia passar despercebido, mas o problema é que o tempo do mundo não suporta delays. O Sr Universo não espera meu timer apitar. O Sr Universo não tem 3 segundos pra me esperar cada vez que ele lança uma coisa boa. Acaba que eu pego só o eco do tempo. E o eco não é o tempo, é só o eco. Eco é só aquilo que ressoa te fazendo perceber que o real já passou. 
Já vi muito o tempo passar. Já desejei intensamente que ele voltasse e trouxesse aquele momento chave para que eu agisse diferente. Ou melhor, para que eu agisse, de qualquer forma. Penso, hoje, que talvez agir, seja de que jeito for, seja melhor que paralisar. Seja melhor que somente pensar. 
Quantas vezes me peguei parada diante o mundo tal qual um disléxico diante um texto de poucos parágrafos. Tudo trocado de lugar. Um amontoado de coisas que juntas não fazem sentido nenhum. E eu só passei por cima. Preferi me esconder por trás da minha dislexia existencial. 
E por isso, mil vezes chorei. Mil vezes quis bater em mim mesma e me causar muito sofrimento por ser tão lerda, por perder tanto e tantas coisas. Fico imaginando o Sr Universo esmurrando a parede e dizendo "Pô, Mariana, de novo???"
E agora me vejo aqui. Pensando se o universo ainda tem tempo pra mim. Se ele espera eu encontrar em mim mesma algo que conserte esse defeito de fábrica. Ou se ele aguenta esperar eu adquirir um timer novinho em folha com desconto nessa Black Friday. 

Mariana Pedrosa

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Então, olha o mar!

Gente bounita do meu mundão, como vocês estão?? (Olha rimou!)
Eu vou bem, obrigada! E não estou respondendo educadamente. Vou bem mesmo!
A Quinta chegou e eu junto com ela. Então pega mais esse pedaço meu, mais dois tiquinhos da minha honestidade e se joga!

"Olhei o dia acordando. É tão bonito! Já tinha visto outras vezes, mas como nada é igual de uma segunda vez, o amanhecer daquele dia foi diferente.

Dentro de mim é diferente. Estou na serenidade do "um dia de cada vez". Já vivi demais a longo prazo. Mas hoje é melhor que amanhã. Um dia de cada vez é melhor que mil dias num dia só.

Antes do amanhecer, na madrugada frenética que me abraçava, eu vi o mar. Eu amo o mar! Eu carrego muito dele e muito dele eu queria ser. O mar me deixa pequenininha, bem menor do que eu já sou. Na beira do mar, numa conversa solta, em meio a risadas gostosas e em companhias agradáveis, eu tive a certeza de que o agora é melhor que o depois.

Sou dessas que inventa coisas pra tornar a vida mais eletrizante. Qualquer coisa serve! Um amor (ou vários), uma briga besta, um atraso, um caminho diferente, uma série nova, um bom livro... Eu só gosto de sentir o delicioso sabor do novo. E depois de muito mastigar, cuspo fora igual aquele chiclete que perdeu o gosto.

Já tive angústias o suficiente pensando nessa porcaria de futuro que eu nunca nem vi a cara. Você pode jurar que eu sou irresponsável, mas olha o mar. Ele é igual pra mim e pra você! Olha o futuro. Ele é igual pra mim e pra você. Incerto e assustador.

Na célebre máxima "vamos viver tudo que há pra viver" se manifesta o desejo contido de cada um de nós. E eu ouso fazer do meu jeito: Vou viver tudo o que eu quiser viver! E me responsabilizar pelas minhas escolhas.

E ai que reside o grande lance: Se responsabilizar. Esse é o limite entre a liberdade e o caos.

Sem paranóia. Sem sofrimento. Sem mágoas. Sem pensar no que virá depois. Deixa o depois lá, depois a gente cuida dele...

Sem mais, vamos vivendo. Um dia após o outro. Um passo de cada vez."

E ai?! Como foi pra vocês hoje?

Não deixem me amar.

Beijos,

Enezita Vieira.


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

De-mais

Quem te deu o direito de pensar que eu sou alguma coisa?
E quem sabe se eu sou?
Quem te disse que sou assim? 
Por que eu não posso ser diferente?
Quanto vale o sossego de meus questionamentos?
Quanto vale as respostas de minhas perguntas?
Será se eu quero mesmo saber da resposta de tudo?
E, ei, quem te disse que eu te quero aqui?
E por que você faz isso comigo?
Não já te avisei que mudei?
Não já joguei tudo pro alto?
Não já passei dos limites?
O que te faz pensar que eu quero algo mais?
Quem foi que disse que você pode pensar algo de mim?
Quem te comentou por onde andei?
Quem te deu o direito de me seguir?
E de marocar minhas publicações?
E de ser inconveniente?
E de aparecer nos lugares que eu vou?
Por que você continua aqui?
Ou por que você não vai embora?
Cadê as falsas esperanças?
Cadê as mentiras de coração?
Quando é que aprendemos que algo é demais?
Quando serei mais forte?
Eu posso suportar tudo isso?
Quando eu vou aprender que as vezes sou velha demais?
Ou nova demais?
Ou as vezes é cedo demais...
Ou é tarde demais.
Só sei que tudo isso é demais.
Bem mais do que posso aguentar.
Laila Marques

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Da vontade louca de ser quem não se é.

Sobre a vontade de ser outra pessoa.
Ou a mesma pessoa, só que em outra época da vida. Passado, de forma provável, por já saber como acontece e ter o poder de modificá-lo. 
Ou do futuro, se este vier com uma cláusula atestando ser excelente e brilhante. 
De ser outra pessoa por não querer sofrer pelas coisas da pessoa que se é no momento. 
De não sofrer por: não se sabe o quê. 
A impressão é a de que as outras pessoas não sofrem. A grama do vizinho é sempre mais verde. 
Hoje eu vejo e percebo o quanto os filmes de comédia romântica me fizeram mal. Até hoje, no auge dos meus vinte e poucos anos, espero aquela música tocar ao fundo.
Até hoje acredito que o meu príncipe chegará montado em um cavalo branco, sorrindo. 
Um olhar. Apenas um olhar será preciso pra que eu e ele saibamos que fomos feitos um pro outro. 
Mas isso foi só até hoje. A partir de amanhã, não mais. A partir de amanhã serei aquela outra pessoa que tem a grama mais verde. Serei aquela pessoa real, que vive a própria vida, não a personagem de um filme de comédia romântica. 
A pessoa que serei amanhã vai dês-desandar. Vai enfrentar o que se tem pra enfrentar: a vida. 
A pessoa que serei amanhã vai sair da sombra dos tempos de outrora. Ela vai viver do agora. 
A pessoa que serei amanhã vai se permitir sofrer, vai se permitir chorar pelo relacionamento que acabou, vai se permitir sofrer por aquele cara que não vale nada. 
A pessoa que serei amanhã não vai mais adoecer pelo medo. Não vai mais ficar paralisada diante daquele texto de difícil compreensão, não vai mais temer uma prova. 
A pessoa que serei amanhã vai viver relacionamentos reais, que começa, tem brigas, tem acertos, tem discussões, tem amor. 
A pessoa que serei amanhã não fugirá de brigas. Enfrentará o mundo pelos seus ideais. 
A pessoa que serei amanhã terá ideais. Ideais muito bem traçados e definidos. Terá força de vontade e disposição pra lutar pelo que quer. 
A pessoa que serei amanhã não vai mais ficar horas ouvindo músicas de fossa pensando como seria a pessoa que ela seria amanhã. Ela só vai ser. 
Amanhã serei tudo isso. Amanhã. Hoje eu sou só eu: a pessoa que deseja ser outra.

Mariana Pedrosa

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Sobre Mudanças e o Mudar.




Ola todos vocês!

Como estamos esta semana? Continuam lindos como sempre? Eu sim. u.u

Então, texto parido do fundo da minha honestidade. Vocês tem conhecido muito desta que vos escreve pontualmente as Quintas. Isso me assusta, but I don't care. I love it! \o/

Vamos la...

"Há algo de muito estranho quando as coisas começam a mudar. 

Ok. Ok. As coisas sempre mudam. Então vou reformular. Há algo de muito estranho quando você percebe que mudanças estão acontecendo.

Não sei quantos de vocês já se deram conta de pedaços seus sendo arrancados. Não falo da mudança habitual, daquilo que muda toda manhã. Eu falo dessa mudança que surpreende a você mesmo.Como pode se surpreender com você mesmo?! Pois é. 

É desse algo estranho que falo.É como se olhar de fora e pensar: "Caramba! Fui eu mesma que fiz isso?!" e sim. Fui eu mesma que fiz isso. 

Há algo de estranho nisso. As palavras tem um gosto diferente e as lembranças são quase como um filme. Você escreve, lê, come,dorme, caminha, canta... E enquanto isso convive com uma pessoa desconhecida.

Você me entende?!

Daí você não sabe se essa pessoa é boa ou é ruim. Só sabe que ela está se apoderando de quem você pensava que era. 

E essa pessoa não é você?! É sim. 

Estranho isso. Tão estranho que me assusta. Não sou lá de me assustar com muitas coisas, nem sou covarde. Mas tenho sentido um frio na espinha de pensar nesse alien que sou eu agora.

Quando a mudança chega e você percebe, é como ver uma massa disforme no espelho. É, ela é igual a mim. Por que não a reconheço?! Eu não vou saber disso agora, como bem pontuou minha analista.

Enquanto isso junto meus segredos e melhores sorrisos e caminho. Caminhar contra ventos sempre foi o que eu fiz. Não pense que me orgulho dessa caminhada. É algo dado. Sou assim e pago por isso. Hoje eu sei que pago. E a única coisa que não está mudando é o fato de que continuo caminhando contra o vento. Continuo com esse pedaço que é meu, que me faz eu. Perceber que isso é meu faz parte de perceber a mudança. 

O que se faz com isso?

Eu não sei. 

Eu vou vivendo. Porque viver é melhor que sobreviver!

Vou comer minhas gordices, ouvir minhas canções, assistir meus filmes, ler meus livros, dormir uma tarde inteira, beber um pouco, esconder minhas lágrimas, enterrar passados, afastar pessoas, amar quem convém... E caminhar. Caminhar sempre."




Alguma identificação? Pontuação? Crítica?

Nada?!

Não importa, só continuem me amando.




Beijões!




Enezita Vieira.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Vivendo de saudade em saudade.

Minha relação com a saudade.


Ela, a saudade, vem como uma crise econômica. Apresenta sinais de que vai acontecer (eu ignoro) e enfim acontece. Dai é uma loucura na bolsa de valores (coração, cérebro, ou qualquer nome que você dê pro lugar que ficam os sentimentos), eu tento acabar com a crise de algum jeito (procuro a pessoa, pergunto as novidades, desabo em desculpas e demonstro a falta que sinto). Depois de controlado o caos, a bolsa fecha em alta (matei a saudade).

Nos dias seguintes vivo na comodidade do mercado estável (acabo sumindo).


Até a próxima quarta.

Tayná Pimenta Mendes

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Eu (não) gosto de você....

Imagem: Sr Google
"Eu não gosto de você!". Admitiu para si mesma, enquanto travava uma discussão imaginária com ele. 

"Não gosto de você!! Não desse jeito que você pensa! Gosto de você como amigo, como companheiro de balada, como diário de cabeceira. Mas não gosto de você DAQUELE jeito... Que jeito? Ora, que jeito! Desse jeito que as pessoas gostam uma das outras nesse sentido não fraterno. 
Como assim não entendeu?? Não gosto desse jeito, desse jeito assiiiim, coisado... não gosto! Gosto de você, não sendo daquele jeito que as meninas que ficam com você gostam. Gosto de você do meu jeito, do jeito que eu sei gostar de quem eu gosto! Você me irrita. Porque nunca entende o que eu falo? 
Como assim 'claro que entendo'?? Se entendesse não tava com essa cara de bocó e com a mão no queixo como se tivesse tentando decifrar minhas palavras. Eu estou sendo clara. Não gosto de você daquele jeito. Daquele jeito 'vamos ver um filme, ter dois filhos, ir ao parque, discutir Caetano e planejar bobagens'. Gosto só desse. Desse assim, que a gente fica rindo de bobagens, de falar mal dos outros e cantar músicas do arco da velha. Para de rir que nem idiota quando eu falo! Tô falando sério! E não tenta me deixar encabulada! Você não tem esse poder sobre mim. Não tem! Tô dizendo, rapaz, não tem!"
Tinha essa mania, mesmo, de querer ganhar todas as discussões, sobretudo as imaginárias. Veja bem, nas imaginárias. No mundo real, ela só sorria e falava baixinho:
"Pela última vez, não gosto de você. Mas não vai embora! Fica aqui me faz companhia. Vamos rir. Eu gosto e você."


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Quereres.



Mais uma Quinta nesta Cafeteria. 


Fico feliz por isso, por que compartilhar meus devaneios com vocês é realmente bom. E uma das poucas coisas que chegam a fazer sentido nos últimos dias.

Aqui tão meus pedacinhos. Leiam, se lambuzem, amem, odeiem... Façam o que vocês quiserem, só não me abandone por aqui.

Então... Go go Power Rangers!

(Meus pés, meu mar. Imagem minha mesmo)

"Eu queria ver meus dias em filtro envelhecido. Violão, voz suave, letra bonita ao fundo. Um pôr-do-sol perto de um laguinho. Sorriso besta, gargalhadas abafadas pelos sons das canções. Um frio gostoso, meus amigos, meus amores... 

Eu queria minha vida numa mochila. Falta de rumo, ausência do medo. 
Eu queria no meu armário só calça jeans, all star velho e camisetas maiores que eu. Na verdade, um pouco mais que isso. Queria no meu armário as roupas que são minhas e não alheias, se é que você me entende.
Eu queria parar de pensar tanto. Eu queria sentir mais. 
Eu queria que chovesse. Eu queria chover.
Eu queria um dia inteiro em que essa falta não sobrasse. 
Eu queria um dia para todas as canções bonitas. Um dia de bobagens. Um dia para ser sem reservas. E um dia para desejar mais dias iguais a esses dias. 
Queria que na minha vida, eu tivesse mais umas duas vidas. Só pra eu ser tudo aquilo que eu gostaria de ser, o que um dia eu pensei em ser e pra ser quem eu fui e matar a saudade daqueles dias, sempre saudosos. 
Eu queria dias pra viver cada amor. Os que eu me neguei a viver, os que vivi pela metade, os que eu matei só de mal, os que eu jamais viverei e os que jamais viverei de novo.
Poderia pedir um dia para entender o Amor? Eu posso. Eu peço. Com a certeza de que jamais fará sentido algum.
Eu queria me ver correndo na praia, sem medo do que dirão, do que verão, do que virá... 
Eu queria era voltar pro meu livro (já que a Garota de Terça acredita que pertenço a um também, eu vou acreditar). 
Eu queria mesmo era parar de tanto querer.

E 'eu quero tudo, mas não sei querer nada...'"

Curtiram?! Então compartilhem! 

Ah, vou deixar essa cançãozinha diliça ai pra vocês, espero que curtam do mesmo tanto que eu.


Beijões meuzamores!



Enezita Vieira.         


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Excesso de Bagagem



Estou cansada. Um cansaço de uma vida inteira. Cansada de estar cansada. Cansei tanto que corro o sério risco de deitar no sofá e deixar de existir por pura desistência. Desafiado não é meu não, pode jogar.

Seguimos a vida acumulando nossos segredos num pequeno fardo bem amarrado às nossas costas. No começo, ele é só um apoio cervical, bem útil nas cadeiras ruins do transporte público. Disso ele passa a ser um pequeno travesseiro, pronto pra qualquer soneca num canto mais quieto em que se possa estar. Mas assim como um tumor, nossa bagagem de segredos segue crescendo, silenciosa, roubando nossas forças como um pequeno parasita bem nutrido, contra o qual não há nenhum licor de cacau chavier que seja eficiente.

Nossa pequena trouxa segue nos acompanhando. Cada um faz dela o que quer. Uns a embalam num tecido cômodo e resistente, outros num marrom sem cor, amaciado pela idade... outros a transformam num divertido amarrotado de cores vibrantes, com estampas de elefantes bailarinos sob um céu de glitter. Essa sou eu.

Seguindo lado a lado com meus segredos, em dias de chuva ou sol, numa viagem divertida ou no mais entediante dia de trabalho, pude aprender que um fato sobre nosso saquinho de segredos é que por mais bonitinho que o tornemos ou quanto nos esforcemos pra mantê-lo limpinho e bem nutrido, nossa trouxa de segredos começa subitamente a pesar. O que uma vez havia sido um pequeno conforto particular ou um silêncio apropriado pra nos esconder de uma ou outra confusão se torna o fato de nossas colunas estarem tão tortas e nossas pernas, sempre cansadas.

Vamos nos enchendo, enchendo, enchendo até vazar.

Depois, desajeitados, tentamos recolocar todos os farrapos de volta na sua trouxinha tão particular. Mas como qualquer coisa no universo, os restos de nós se submetem à regra universal das embalagens: uma vez que você desembala, não haverá jamais uma forma de recolocar tudo no lugar exatamente da mesma forma. O que antes era um pacotinho arrumado, agora é uma massa disforme e retorcida que insistimos em chamar de nossa vida.

Por fim, me canso só de pensar que esse fardo é eterno, continuará a ser arrastado por nossas costas irritadas enquanto o mundo for mundo e nós formos nós mesmos. Cabe a cada um o que fazer da sua mala. Ignorar é uma opção. Ficar cansado é uma consequência inevitável.


Quanto a mim, sigo colorindo os elefantes do meu tecido enquanto der. Assim, cansada o quanto for, ainda restará o conforto de deitar aconchegada num pequeno pedaço de arco-íris. A esse conforto eu chamo: ter amigos. 

Decida

Nós somos ensinados a não mentir. 
"Isso é errado, é feio, Papai do céu não gosta, mamãe vai te colocar de castigo".
Somos ensinados a não fazer com os outros aquilo que não gostaríamos que fizessem com a gente.
Nos ensinaram também que o bem sempre vence o mal. 
Esqueceram de dizer que quase ninguém obedece a isso tudo.

Todo mundo mudou seu jeito de viver, mudou as rédeas da vida. E muita gente se perdeu e não consegue mais tomar as próprias decisões.

Dizem que a vida passa diante dos seus olhos logo antes de morrer. Os momentos importantes. Os momentos que testaram você. Os momentos que te fizeram quem você é.

Eu penso que esses momentos acontecem todos os dias, principalmente antes de dormir. Aqueles questionamentos básicos se essa é a vida que você esperava ter. E a única pessoa que pode responder por você é você.

Tem dias que eu acho que não valho nada, outros eu sou grata por ter algo que me faz ser alguém. Nós todos iremos morrer. Não podemos escolher como ou quando. Mas nós podemos decidir como vamos viver. Então, faça isso. 

Decida. 

Essa é a vida que você quer viver? 
Essa é a pessoa que você quer amar? 
Esse é o melhor que você pode ser? 
Você consegue ser mais forte? 
Mais gentil? 
Ter mais compaixão? 
Não mentir?
Obedecer aos pais novamente?
Fazer o bem sem olhar a quem?
Mudar de cidade, de estado ou de país pelo seu sonho?
Decida... 

Inspire. 
Expire. 
E decida.
Laila Marques

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

"Sr. Coelho, espere!!"

“Ergueu-se então e dirigiu-se para o animalzinho, o qual fugiu assustado. Alice disparou atrás. O Coelho meteu-se por uma toca. Alice também, sem refletir que é muito fácil entrar em toca, mas muito difícil sair." Lewis Carroll - Alice no País das Maravilhas

Eu passei a minha vida toda correndo atrás de coelhos brancos que gritavam “é tarde, é tarde, é tarde!”. E eu acreditei cegamente neles. Acreditei que de fato era tarde. Muito tarde. Tarde para amar, para me dedicar, para tentar mudar. Isso antes dos 20. 

Acreditei que era muito tarde para entrar em uma toca escura e cair até o centro da terra. Acreditei que era tarde pra fazer a dança da chuva em volta de uma fogueira. Me convenci que já estava tarde demais para cantar uma bela canção com minha péssima voz em meio as flores.

Todo esse tempo eu acreditei que não tinha tempo. Poupei os melhores minutos da vida com o vazio. Matei o tempo, matei a mim mesma. Deixei o gato sorrindo na noite escura escapar de mim. Não me permiti seguir conselhos de uma lagarta fumando em um narguilé. Não me permiti seguir conselho algum, nem os meus (e olha que eu costumo dar bons conselhos a mim mesma). 

E gastei o resto dos meus minutos me martirizando por isso. 

Não me permiti chorar a dor de estar sozinha, perdida em uma floresta escura, sem saber pra onde ir e nem como voltar. Me podei, simplesmente. Podei por medo, por preguiça. Me podei de pintar as rosas cor de carmim. Não me permiti jogar uma partida de criquet com a rainha, nem me arrisquei a ter a cabeça cortada.

No fim das contas, sonhei. Mas não permiti me entregar. Fui uma sombra no meu próprio sonho. Reneguei a fantasia e, por medo da realidade, reneguei minha própria existência. 
Hoje me sinto velha e nem cheguei aos 30. No final das contas, fui a Alice que nunca dormiu.

Mariana Pedrosa
Sorriso do gato da Alice. Créditos: Sr google.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Esse eu...



Oi amores. Vocês estão bem? Digam aqui para mim.

O texto da Garota de Quarta tá muito legal né?! Eu queria ser um pato numa lagoa... Mas como a Amiga das Fadas me ensinou, posso ser qualquer coisa. Então hoje quero ser um balão. Oukey?! Hoje sou um Balão.

Vamos ao texto de hoje. Olha... tá sinistro, tá desencontrado, tá viajado... Mas enfim, é isso ai que meu eu quis dizer (ou não, vai saber...)

"Eu estou me evitando.
Se eu não fosse eu, passaria do outro lado da rua, só pra não ter que me olhar nos olhos e compreender cada palavra que sinistramente os olhos dizem.
Ah... Eu não quero pensar nessa minha vida. E tô tratando de não pensar.


Minha vida vai bem, obrigada!

A família?! Ótima!

Faculdade?! Maravilhosa!

Respondo economicamente que esta tudo bem. E pra mim, no raso de mim mesma, está mesmo. No profundo, bom... Não sei. Eu não fui lá. Nem quero
ir.
Não quero visitar esse porão cheio de eu mesma.
Deixe como estar. Assim tá bom.
Hoje choveu. Cê viu?!
Assim me desvio do que importa, falando do clima. Falando dos outros, evitando falar de mim. Me amarrei neste mesmo, neste igual e aqui eu vou ficar até que essas coisas encabulosas, sobre esse eu, decidam parar de querer se aparecer.
Enquanto isso eu fujo. Eu finjo. Pros outros?! Sim, em escala menor.
Mas o grau maior do meu cinismo é pra mim mesma. Já que me olho no espelho e não me reconheço, tenho o direito de fingir e de fugir. E eu sou realmente boa em ambas as coisas.
E sim. Esta do espelho está exatamente igual a
mim, e eu incrivelmente, não a reconheço.
Esses dias estão vazios. Esses dias não são meus.
Estes dias são preto e branco e acelerados. Diferentes dos meus dias coloridos e cheios de vida. Nos meus dias, as novidades de ontem conseguem ser novidade
hoje. Nestes dias, nem as novidades de amanhã conseguem ser novidade hoje.
Alguém veio aqui e me tirou a Vontade Existencial
e só me deixou a Preguiça Existencial.
Eu sei que preciso encontrar os caminhos novos. Não me venha dizer o que fazer. Mas... Ah... Encontrar caminhos novos é dar de cara com esse eu do qual estou fugindo. Então não quero não. Você me entende?!
Aqui tá bom viu?! Me deixe aqui.
E não se preocupe com minhas fugas, ainda há muito mim nesse raso. Além disso, essência não muda e o essencial é invisível aos olhos."


É isso xenty. Gostaram? Espero vossos comentários.
Não deixem de me amar.
Beijos deliciosos!


Enezita Vieira.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Patos, crianças, sentimentos e responsabilidades.


Oi, gente!

Dessa vez sou eu que vos escrevo, posso escrever que senti saudades, posso escrever que não senti saudades, posso escrever que sou um pato super dotado que consegue escrever.
Por isso escrever é maravilhoso, podemos tudo...até palavrões, mas hoje não to afim de palavrões, estava mesmo querendo escrever pra vocês. É bom ser lida as vezes, ser descoberta de vergonhas, de ser/escrever qualquer coisa.


Uma menina tinha seis anos e sérias duvidas, resolveu que em uma tarde conseguiria as respostas para todos os seus questionamentos.
- Mamãe, por que todas as pessoas tem que andar de terno em dias quentes?
- Por que é assim, minha filha, elas tem que ir trabalhar.
- Elas tem que trabalhar, por que?
- Pra conseguir pagar as contas, menina. Tudo custa alguma coisa,nada é de graça, se as pessoas não trabalham e ficam ser fazer nada elas nunca vão ter alguma coisa, são desocupados sem futuro, e as pessoas tem ser alguém na vida.
- Mas mãe, eu não uso terno, eu não trabalho, não pago contas, não sei quanto custa nada. Quer dizer que eu sou ninguém?
- Não, quer dizer que você é criança.
- Então eu não quero crescer.

Como um bom pato super dotado que sou, estou indo ao laboratório onde aplicam drogas em mim. Por isso eu posso escrever. Só não me ensinaram aquela palavra pra pedir ajuda.. Se você entendeu essa mensagem, venha sem demora, pois a minha vida é simples, sou só um pato. Queria nadar no lago com minha família. Vocês humanos que gostam de falar, que gostam de escrever, de sentir e acham que raciocinam pra facilitar a vida, e só complicam. Sou só um pato.


terça-feira, 5 de novembro de 2013

Insônia Parda

A vida na madrugada é solitária. E é solitária de um jeito bastante diferente e específico. Não é a mesma coisa, por exemplo, que aquela sensação enjoada que sentimos em meio a uma multidão de ilustres desconhecidos. A solidão da madrugada é a solidão de cada um.

Se você já prestou alguma real atenção às horas que antecedem cada manhã, deve entender bastante bem a que me refiro. Me refiro a um tipo de solidão que se alimenta do azul marinho do céu ainda estrelado. Me refiro à solidão que deu vida àquela poesia de Fernando Pessoa, aquela, chamada Insônia. Me perdoe se não lembro qual nome o Fernando usou pra assinar essa, é que, como você nota, dormi bastante mal na noite passada.

Você passa a entender essa tal solidão insone quando por um motivo ou outro está em casa, acordado. Enquanto você não dorme um mundo inteiro acontece, dentro e fora de você. O mundo subitamente se aquieta, se cala como se fosse dormir. Mas assim como o sono que a cada noite nos prega os olhos, o sono do mundo também é só uma ilusão.

Naquelas horas estranhas entre hoje e amanhã, diferentes sons e pássaros noitívagos dividem espaço com os gatos que, a essa hora, já são todos pardos. Nessas horas indefinidas, passamos a ter uma clareza insana na nossa forma de ver o mundo e a nós mesmos. Essa clareza súbita e descarada, penso eu,  só pode nascer do silêncio, do céu clareando e da solidão disso tudo.

Há algo de muito esclarecedor em tudo o que pensamos enquanto seu lobo não vem. Basta  estarmos realmente abertos pra notar. Cada passo que damos, mornos de cama, em direção à cozinha, 1... 2... 3... 10..., cada passo é uma sinfonia de silêncios distintos. E é aí, no silêncio, que mora o perigo. Porque na solidão calada do ‘semiescuro’, só podemos encontrar a nós mesmos.

Nossa alma é como uma vizinha incômoda que joga lixo na nossa porta. Quem quer se encontrar com ela? Certamente nenhum de nós, muito embora seja mais bonito e polido negarmos até a morte o nosso desinteresse por quem de fato somos.

Há algo de muito solitário em cada madrugada. Uma solidão compartilhada, no entanto. Compartilhada por todos os seres do mundo, até com os que dormem. Sejam esses dormentes do corpo ou da mente, cada um carrega sua própria cruz, que pesa muito mais depois das 4.

Há algo de muito compartilhável no fato de estarmos todos sós. Afinal, depois da meia noite todos nós somos pardos.





INSÔNIA


Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.
Espera-me uma insónia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.
Não durmo; não posso ler quando acordo de noite,
Não posso escrever quando acordo de noite,
Não posso pensar quando acordo de noite —
Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!
Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!
Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.
Não tenho força para ter energia para acender um cigarro.
Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo.
Lá fora há o silêncio dessa coisa toda.
Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer,
Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir.
Estou escrevendo versos realmente simpáticos —
Versos a dizer que não tenho nada que dizer,
Versos a teimar em dizer isso,
Versos, versos, versos, versos, versos…
Tantos versos…
E a verdade toda, e a vida toda fora deles e de mim!
Tenho sono, não durmo, sinto e não sei em que sentir.
Sou uma sensação sem pessoa correspondente,
Uma abstracção de autoconsciência sem de quê,
Salvo o necessário para sentir consciência,
Salvo — sei lá salvo o quê…
Não durmo. Não durmo. Não durmo.
Que grande sono em toda a cabeça e em cima dos olhos e na alma!
Que grande sono em tudo excepto no poder dormir!
Ó madrugada, tardas tanto… Vem…
Vem, inutilmente,
Trazer-me outro dia igual a este, a ser seguido por outra noite igual a esta…
Vem trazer-me a alegria dessa esperança triste,
Porque sempre és alegre, e sempre trazes esperança,
Segundo a velha literatura das sensações.
Vem, traz a esperança, vem, traz a esperança.
O meu cansaço entra pelo colchão dentro.
Doem-me as costas de não estar deitado de lado.
Se estivesse deitado de lado doíam-me as costas de estar deitado de lado.
Vem, madrugada, chega!
Que horas são? Não sei.
Não tenho energia para estender uma mão para o relógio,
Não tenho energia para nada, para mais nada…
Só para estes versos, escritos no dia seguinte.
Sim, escritos no dia seguinte.
Todos os versos são sempre escritos no dia seguinte.
Noite absoluta, sossego absoluto, lá fora.
Paz em toda a Natureza.
A Humanidade repousa e esquece as suas amarguras.
Exactamente.
A Humanidade esquece as suas alegrias e amarguras.
Costuma dizer-se isto.
A Humanidade esquece, sim, a Humanidade esquece,
Mas mesmo acordada a Humanidade esquece.
Exactamente. Mas não durmo.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Carrossel

Eu queria me divorciar de mim porque eu sou chata pra caralho. 



Eu não sei fazer nada certo, me estresso fácil, me perco no trânsito, me envolvo em ciladas. Eu não gosto mais de mim porque eu sou louca. E eu só sinto distância por estar tão perto de mim. Morro e não ressuscito mais. Caio na tristeza que é me ter sempre com uma nova neurose, quero um pouco de espaço. 


Eu me separei de mim porque não aguentava mais tietagem de amor. Desprezei os argumentos desnecessários e as pessoas desnecessárias e os comentários que não fazem falta no fim do dia. O espaço de mim e a solidão dos dias sérios ou vãos são transformados em novos sorrisos. (Onde é que estavam essas pessoas todas que se dizem meus amigos?) Eu sempre fui a vilã da história, admito. Eu me separei de mim porque estava cansada de negar. Negar que estou exausta, triste e com medo. Nego as ideias e loucuras que tenho pra tentar ter sucesso em tudo o que faço e principalmente nego todas as minhas negações. Neguei tanto que cheguei a não reconhecer mais a verdade que estava na minha cara. Disfarço ter nenhuma emoção e eu nem sei se elas existem mesmo (olha aí negando de novo) e eu cansei de mim por fazer tudo parecer tão normal. - Escorregou, caiu, levantou. - Eu deveria saber que a queda machuca, deixa marcas e dói. Onde estão os hematomas? Existe alguém cuidando de mim se nem eu mesma consigo enxergar os estragos que causei? Mas agora ganhei remissão. Estava exausta de viver comigo só que é mais cansativo ainda ter conviver sem ser o que eu sou. Só estou precisando de uns ajustes (até umas cirurgias quem sabe). Só que foi traição demais pedir os papéis de divórcio, não? Falhei na missão me amar e ter orgulho de mim só que foi preciso quase desistir de mim pra eu me encontrar de uma forma bem melhor. 

Ai, como eu tava morrendo de saudades de mim. Essa vida chata de gente velha (porque é horrível essa coisa toda de crescer e ter responsabilidades) é como um carrossel. Nunca vai parar e nós não podemos saltar. Eu não posso desistir de mim.


Laila Marques, garota dessa segunda-feira, 04 de novembro de 2013.


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Apenas Consideraçaões

Que existem coisas aqui dentro que nunca foram ditas, isso é fato. O problema é essa vontade louca que elas, essas benditas coisas, têm agora de se colocar no papel. 
Eternizar no papel ou se perder ao vento pelas palavras ditas. Eis a questão.
O que é mais caro, o dito ou o não dito? 
Não importa, não quero pagar. 
O problema é que custa: custa dizer, custa não dizer.
Se digo, dói. 
Se não digo, adoeço. 
Não quero dor, não quero adoecer. 
Quero apenas a sorte de um amor tranquilo com sabor de fruta mordida, como diz o poeta. 
Só que não é fácil morder frutas, sobretudo se você não tem dentes.