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| Créditos: Sr Google |
Levou as mãos à cabeça. Nenhum motivo pareceria mais justo que aquele para o fazer levar as mãos à cabeça. Não costumava executar esse gesto. Na verdade, não lembrara de uma única situação que o fizesse levar as mãos à cabeça. Nem pensou direito. Somente levou as mãos à cabeça.
Levou as mãos à cabeça como um gesto de desespero, como um não saber o que fazer em situações como aquela. De desespero , tristeza, dor. Um único gesto traduzindo milhares de sentimentos e sensações, todas ruins, todas remetendo a saudade. Aliás, ninguém sabia o que fazer exatamente: para quem ligar, a quem recorrer. Em uma situação dessas, se recorre a alguém? Recorre-se a Deus? Todos os santos, os anjos, orixás? Para quem? Para quem? Quem poderia fazer voltar o tempo para que ele não tivesse que levar as mãos à cabeça? Não tivesse que pensar em não saber o que fazer? Não tivesse que dar nó em seus pensamentos por não saber a quem recorrer? Não tivesse que pensar no não pensar em levar as mãos à cabeça?
Infelizmente, e ele sabia disso muito bem, o tempo não voltaria, não havia ninguém a quem se pudesse recorrer para evitar que aquelas mãos não fossem levadas à cabeça. Pior ainda, levadas a cabeça, mas escorregadas para o rosto. Não havia ninguém a quem recorrer para que aquelas mãos, agora no rosto, não apertassem os olhos com a intenção de retardar a queda das lágrimas. Não havia ninguém a quem recorrer para que o soluço não viesse em forma de um quase grito.
Ele tentou cobrir, tentou disfarçar. Ficou lá, de cabeça baixa com as mãos escorregadas da cabeça ao rosto. Queria ser invisível, queria passar despercebido, ao mesmo tempo que só precisava de um abraço Nada de palavras, nada de frases feitas de consolo. Sozinho na sala branca e gélida, de cadeira duras e frias, ele estava lá. Com as mãos no rosto vermelho, chorando a dor e a saudade de quem foi e não volta mais.

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