sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Compêndio sobre feridas.

Imagem: Sr Google

As feridas não se tratam de uma coisa em si, necessariamente. A maioria das feridas são consequência de uma coisa em si que não acabou bem e se tornou uma ferida. 
Geralmente, feridas sagram ao nascer. E como qualquer nascimento, há dor. A coisa em si que gerou a ferida faz doer no pedaço da pessoa em que a ferida será instalada.Tem vezes que a dor quase não é sentida devido sua magnitude, ou distração da pessoa que foi contemplada com tal, mas normalmente elas doem.

E muito. 

Um paradoxo sobre feridas é que elas têm uma vida muito curta se tratadas de forma saudável, com carinho e cuidado. O que é bom para a pessoa que a carrega (e talvez para a própria ferida, se uma das razões pelas quais ela exista no mundo seja justamente essa pouca duração). Mas se mexida com frequência, se cutucada, se maltratada, ela dura.

E perdura. 

Se você não fizer esse tipo de coisa, ela, por ela mesma, vai indo embora. Vai completando seu motivo de existir. 

Ela vira cascãozinho. O cascãozinho cai e daí fica só aquela manchinha que se chama cicatriz. A cicatriz é aquilo que vai te fazer lembrar do por quê você ganhou aquela ferida. Vai te fazer lembrar de tudo o que você passou até adquiri-la e de tudo o que você teve que abrir mão, de todo o tempo que você teve que dedicar para curá-la. Talvez você fique com raiva quando olhar a cicatriz ou talvez tenha sentimentos dos mais variados tipos. Isso é normal. A cicatriz foi um recado que a ferida deixou dizendo "não se preocupe, eu sarei”.

A boa noticia é que cicatriz não dói. 

Se doer, não é cicatriz, é ferida mal curada. Volte ao começo e pare de cutucá-la.


Mariana Pedrosa

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