sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

O botão da treta. E a minha opinião.



Talvez o mundo só esteja mesmo interessado em ver relacionamentos fracassarem. Por que eu tô dizendo isso?

Esses dias o facebook lançou mais algumas reações além do famoso e velho curtir, pessoalmente eu achei bem desnecessário! Enfim, uma delas é um coraçãozinho que significa “amei”. Eu realmente não vi problema algum.

Mas ai que nos grupos de wpp, no instagran e no próprio face começou um ataque ao “amei” que me deixou intrigada. Chamaram ele até de anticristo dos relacionamentos, eu ri. Eu fiquei, de verdade, sem entender bem o poder destruidor que estão dando para o tal coraçãozinho. 

Eu tenho namorado, eu tenho lá as minhas crises de ciúme, minhas neuras e etc, mas não me ocorreu nenhuma situação onde esse “amei” pudesse trazer um problema pra nossa relação. Até porque, quando você da um like, você ta dizendo que realmente gostou da foto ou do post. Não é mesmo?!

Lembro de quando o wpp lançou o azulzinho pra visualizado, foi o mesmo auê de problemas nos relacionamentos. 

Gente, de verdade, não deixa esse tipo de coisa bagunçar teu relacionamento não. Um novo botãozinho numa rede social não pode ter esse poder. Não tô fazendo a linha super poderosa, tem certas situações que geram um incomodo em redes sociais, eu sei disso e também vivo isso. Mas se um grande problema surgir por causa desse “amei”, devo dizer que o problema não tá lá, tá fora da rede social, tá no real, bem entre o casal. 

Deram tanto poder à esse botãozinho fofo que agora, talvez, ele passe a ser a ruína dos relacionamentos, só porque botaram pilha, só porque é mais legal quando rola um mimimi, talvez seja porque a audiência é maior nos desastres.

Enezita Vieira.



domingo, 21 de fevereiro de 2016

Como eu era antes de "Como eu era antes de você"




Alerta Spoiler: contém spoiler por motivos de: não consigo me controlar.





"Como eu era antes de você" é um livro que parece um desses livros que a gente vê todos os dias surgindo e sumindo por aí. Se vende, aos desavisados como eu, como uma história de amor entre uma cuidadora e seu paciente tetraplégico. Até aí ok. Mas a medida que suas horas de sono diminuem porque você não consegue, simplesmente, parar de ler, você vai percebendo que o livro tá muito além da paixão pouco comum que parece surgir... 
Vou começar do começo: sou viciada em trailers. Sim, já procurei grupos de apoio, mas isso não vem ao caso agora. A questão é que eu sou viciada em trailers e qualquer um que aparece eu assisto e assisto às sugestões seguintes até eu perceber que estou atrasada para qualquer coisa. Numa dessas, apareceu para mim o trailer da versão cinematográfica de Como eu era Antes de Você, e com ele um estardalhaço por conta da atriz,a fulaninha lá que é a rainha da porra toda em Game Of thrones (que, por falar nisso, eu não assisto). Curiosa, assisti ao trailer sem esperar muita coisa. Só com ele já senti um arrepio diferente e senti que uma lágrima queria rolar. Imediatamente imaginei que o final para essa história não convencional, seria um clichê, para amenizar os corações aflitos e carentes do mundo todo.
Passaram-se um dias e minha timeline bombou novamente com compartilhamentos deste bendito trailer, acompanhado sempre do cabeçalho “já baixei o livro”. E aí a notícia de que só estrearia em meados de julho ou setembro, não lembro ao certo. Novamente, movida pela curiosidade ( e percebam que tem uma pitada de maria vai com a outras nisso), baixei o bendito livro no ímpeto de saber o que acontecia no final.Comecei a ler dando gostosas risadas, me identificando em alguns atrapalhados aspectos com a protagonista e rendendo deliciosamente cada página até que... até que tudo muda e a calma já não faz parte do processo pois as coisas acontecem e vão acontecendo e você PRE-CI-SA saber como raios isso continua. Pra quem já terminou o livro, pode continuar lendo. Quem não, volte 5 casas. 
Esse segundo ponto já te dá ideia do que acontece. Sim, o Will escolhe morrer.No decorrer da trama, Louisa descobre que Will pretende cometer suicídio assistido após o período de seis meses dados por ele aos pais. A função dela na casa é a de alegrar os dias de Will a ponto de fazê-lo desistir do combinada de dar cabo a sua vida. A questão é que: não quero discutir exatamente a narrativa do livro, mas as temáticas que emergem de forma tão sutil à medida que se vai avançando as páginas. Digo sutil pois elas surgem para o leitor na mesma medida que se tornam claras para a própria protagonista. Vou chamar atenção para duas delas: 

1. O convívio com pessoas cadeirantes; e 
2. O suicídio assistido. 

Sobre o primeiro ponto, acho bastante legal como a Lou vai se dando conta de como é a vida de um cadeirante que resolve enfrentar a vida em sociedade. E quando eu falo cadeirantes, pode-se generalizar para pessoas com qualquer tipo de deficiência. E o mais legal é que ela se dá conta! Digo isso porque existem pessoa (e eu conheço várias!) que convivem ABSOLUTAMENTE TODOS OS DIAS DA VIDA com pessoas cadeirantes e continuam não percebendo (ou não querendo perceber) como essas limitações afetam na qualidade de vida deles. A minha mãe é cadeirante há mais de 10 anos e toda a geração de primuxos que vieram nesses anos sabem respeitar, valorizar e conviver com pessoas diferentes. Não existe um constrangimento com as rodas, não existe olhar torto e, o melhor de tudo, é que essa forma de lidar é por causa de minha mãe, mas não é exclusivo para ela: eles levam esse aprendizado para fora da família, para fora da porta de casa. E é isso que deveria ser divulgado em ampla escala para o mundo: VIVER COM O DIFERENTE FAZ COM QUE A DIFERENÇA NÃO SEJA SENTIDA. Aliás, faz com que ela seja ENTENDIDA. 

E essa dessensibilização vai acontecendo aos poucos com a Lou. O estranhamento inicial causado pela cadeira de Will vai dando espaço a uma convivência sadia e harmônica (com a cadeira, com o will só às vezes.. rsrs). E o mais legal é a evolução disso no decorrer da narrativa, quando ela percebe as barreiras que uma cidade pode se tornar para uma pessoa cadeirante. 




Como eu acho que esse texto está ficando extenso e o segundo ponto dá muito pano pra manga, vou comentar sobre ele num próximo post. =)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Click

A vida é imprevisível. Isso é maravilhoso e assustador na mesma medida. Você encontra o amor da sua vida, perde um ente querido, acha dinheiro na rua, tropeça num desnível da calçada… você nunca sabe.

O que fazemos é nos cercar de planejamentos como uma bolha, temos a ilusão de que se controlamos algo, então tudo estará bem. O tédio cotidiano ou talvez alguma bondade divina nos faz esquecer que tudo isso não passa de brumas de uma fabtasia, que na verdade nada está sob controle.

Mas nós estamos aqui e nos submetemos à vida. Compramos no pacote um monte de alças rebentadas de chinelos, unhas encravadas, doenças progressivas e milhares, milhões de imprevistos.

É difícil viver, isso sim a gente sabe.

O fato da maioria escolher viver focada no “apesar” (porque apesar de ser difícil a vida também é linda) não atenua essa verdade tão presente. Rapadura é doce, mas não é mole não.

E o que se faz quando o momento é desses que machucam mais que topada com o dedo mindinho? Se aguenta e segue em frente como se o dedo não doesse?

Sim, se segue em frente.

Seguimos em frente porque em última instância essa é a única escolha que nos resta: assumir um compromisso com essa vida bandida ou não. E se a resposta for sim, busque logo um copo de água pra ajudar a engolir seus sapos, porque com certeza eles virão.

Ainda não inventaram um controle universal que acelere o tempo ou ponha no mute os berros de insulto que temos que ouvir, mas pensemos um pouco: e se? E se fosse possível, que bem nos faria? Todos viram a cagada que da em filmes de domingo a tarde, repetir isso na vida ou não é apenas uma questão de consciência.

Porque avançar ou voltar ou aumentar o volume ou diminuir a velocidade nunca é solução pra nada.

A vida não se resolve com um controle. Nada passa em um click. A vida não se deixa controlar.

Mas estamos aqui pra isso, pra acreditar que hoje é o dia de achar um dinheirinho esquecido no bolso e não de ser atropelado por uma carroça puxada por unicórnios.

A vida é um carro desgovernado, mas viver é se esquecer disso. Afinal, você nunca sabe.