sexta-feira, 20 de junho de 2014

A vida. Ah, a vida.

Já perdi as contas de quantas vezes reclamei da vida, com as mãos na cabeça e olhando pra cima. Inúmeras, pra ser precisa, já não sendo. Eu praticamente, quando não literalmente, gritava pra que ela me respondesse por qual motivo ela agia assim, quem tinha sido o escroto que havia lhe feito virar essa entidade tão sem ternura no coração. A vida é uma daquelas mães que não passaram pelo curso de mães. O bom é que ela não tem aquela conhecida fixação com tupperwere, mas em compensação, não faz carinho na sua cabeça quando a merda já está feita. A vida só vai te dizer, dura e seca: "te vira!"

E sabe o que é mais cômico? Quando você respira aliviado, pensando não poder acontecer nada pior, simplesmente acontece. "Vadiaaaa!!!" eu grito em desespero. "Mas não sou eu que estou fodida, queridinha", eis o que ela me responde.
E nossos diálogos consistem nisso. Eu a xingo e ela dá de ombros. Parece que não se importa com o meu esforço, embora eu reconheça que seja insuficiente, às vezes. Não se importa quando é suficiente, nem quando é extraordinário.  
Na verdade, ela não se importa, simplesmente. Ela insiste em não parar, uma semaninha que seja, para que meu sofrimento e falta de encaixe no mundo, pelo menos, se dissipe um pouco. Não! Ela está lá! Firme e forte, tipo aquelas mulheres loiras, ricas, peitudas e bem sucedidas antes dos 30, me olhando com aquele sorrisinho de desdém no rosto, levantando a sobrancelha e pensando: "ainda tá assim? Isso não aconteceu há 30 segundos?" 
Essa é a vida. A minha. De alguma forma,  que eu ainda não aprendi, sou eu quem manda nela. Vou acreditando que, com os tropeços que essa dama me dá, eu vou me reerguendo mais forte, mais sábia. Tendo fé que ela não se chama Miriam.

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