Desde que me lembro meu grande objetivo acadêmico foi entrar na universidade. Minha mãe e família fizeram esforços incontáveis para que meu nome constasse na lista de aprovados da Federal. E assim foi, logo de cara, no primeiro vestibular.
Entrei na universidade com 17 anos, caloura de curso, caloura na vida. Eu tava ali porque sabia que era pra ta ali, mas pra que era mesmo?!
Fui descobrindo aos poucos.
O sonho estava realizado e logo de cara a gente percebe que passar no vestibular é só o começo de um montão de problemas.
Hoje eu quero falar de um deles que me incomodou muito: Os professores medíocres.
Tive o privilegio de ter tido excelentes mestres que não me deixaram sucumbir quando no meio de tantos bons aparecia um meia boca. Não era um professor burro ou despreparado, a maioria das vezes a gente via que ele só tava desinteressado.
Os professores e medíocres chegavam atrasados, liberavam cedo, passavam texto pra ler na sala e "debater" depois, ficavam fuçando no celular enquanto a gente se matava pra apresentar um trabalho decente. As vezes ele faltava um mês inteiro, subestimando nossa inteligência, dando as piores desculpas. Outras vezes eles faziam questão de dizer que a universidade não pagava nem o peeling deles. Bom, foram alguns professores assim e inúmeras situações completamente revoltantes para um aluno que anseia por aprender alguma coisa.
Você deve ta imaginando que ou uma nerd revoltada. Não, não sou. Varias vezes me aproveitei da incompetência desses professores para faltar aquela única aula de sexta ou sair pra jantar no R.U e ficar batendo papo com os colegas, porque era mais produtivo do que voltar pra aula e ver um profissional nada interessado se você ta aprendendo ou não.
Então isso é responsabilidade minha?
Sim, mas não exclusivamente.
Educação é troca. Professor ensina, aluno aprende, vice e versa. Podia me sentir culpada por todas as vezes em que fui tão medíocre quanto esses professores, mas não.
Não me sinto porque quando era aquele professor que dava aquela puta aula eu saia de casa cedo pra não atrasar, virava a noite estudando pra prova ou tentando dar o meu melhor naquele trabalho valendo 2 pontos; lia os textos com antecedência e ficava com fome pra não correr o risco de voltar atrasada e perder algo da aula. Esses professores valeram a pena, mesmo aqueles com quem eu tinha pouquíssima afinidade com a matéria ensinada, valeu a pena toda cobrança e esforço deles.
Esses últimos de que falei são os que me inspiraram e continuam me inspirando. São aqueles que fazem eu querer ser professora e inspirar alguém um dia.
Sobre os outros fica meu questionamento: Pra que seguir a docência? Tem coisa melhor a fazer. Lidar com uma sala de aula não deve ser fácil, então pra que escolher uma carreira de ensino se você detesta ensinar.
Esse tipo de atitude é solo fértil para que surjam alunos medíocres e futuros profissionais medíocres, que talvez retornarão à universidade para serem tão medíocres quanto seus professores foram.
Isso gera uma bola de neve que resulta em pouca produção científica, baixo interesse em grupos de estudo, iniciação cientifica ou extensão. Vemos alunos desmotivados em pesquisar mais e se contentando apenas com o que é oferecido tão porcamente na sala de aula.
Nós entramos na universidade sem saber de nada, é papel do professor mostrar como a coisa toda funciona, se você não tiver interesse pelo que faz, isso vai ser um fardo insuportável.
E eu espero, de coração, que isso mude porque eu sei que é possível. Eu tive professores medíocres, mas eu tive professores que foram maiores que isso, que se comprometeram em transmitir um saber limpo e me ensinaram a pensar alem da caixa.
Nesses que eu me inspiro. Nesses que eu acredito e um desses que eu vou me tornar.
Enezita Vieira.
