quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Uma crônica perdida

Créditos: Sr Google
Quando eu era mais novinha, li uma crônica do qual não consigo lembrar o nome ou autor, mas lembro claramente o conteúdo e a sensação que ela causou em mim. Resumidamente, a crônica contava a história de dois amigos, muito amigos mesmo, daqueles que se contam tudo, que se falam constantemente...daqueles amigos que a ausência dói. Daqueles que a gente precisa falar IMEDIATAMENTE quando surge qualquer coisa minimamente importante na vida. Daqueles que a gente pode conversar, sem temer o ridículo, sobre absolutamente qualquer assunto, desde assuntos sérios como a atual situação econômica do mundo a teorias bobas sobre o formato da cabeça de uma personagem escrota de uma série ótima. Enfim, a história era sobre dois amigos amigos, que eram tão amigos que um dia, simplesmente, deixaram de ser. Não por briga, escrotice, chateação. Apenas o tempo criou um silêncio entre eles.
Lembro, com muita clareza, de me arrepiar até o último fio de cabelo (que naquela época eram muitos). Um medo correu a minha espinha e um pensamento de "ISSO NUNCA VAI ACONTECER COMIGO!!!" me passou imediatamente pela caixola. 
Passados aproximadamente 15 anos do episódio, cá estou eu, assistindo ao último episódio de How I Met Your Mother e chorando feito uma bezerra desmamada, feito uma criança que deixou a bola de sorvete de morango cair, feito Rose quando percebeu a burrice de não ter dado um espacinho na porra do pedaço de madeira pro Jack. Não vou dar spoilers, mas... mentira, vou sim: o tempo afasta as pessoas. Acontece. Interesses vão e vem e, simplesmente, mudam.
Meu choro nesse momento (e vocês podem, PERFEITAMENTE, imaginar aquela cena da Renée Zellweger como Bridget Jones, com um pote de sorvete na mão, pijamas enormes e inúmeros lenços de papel espalhados pelo sofá) é porque a vida aconteceu com Ted e seus amigos. É sempre isso que acontece: a vida. E aí, de uma hora pra outra (você pensa que é de uma hora pra outra, mas para pra pensar! Quinze anos é MUITO tempo) os telefonemas não ocorrem mais todos os dias, as conversam passam a se resumir em pequenos favores e quando você se toca, seu bom e velho amigo (aquele mesmo dos altos e baixos, das primeiras bebedeiras, aquele que a família passou a ser a sua própria) não passa de um mero desconhecido...
E aí vem o estalo: amizades são tais quais relacionamentos amorosos... É preciso alimentar, é preciso que todos estejam em sintonia para que dê certo. Viver de história nunca fez bem pra ninguém (a não ser para os professores, os historiadores, a galera do museu, os paleontólogos...ah, deu pra entender!) e quando é só o passado que se tem, melhor deixar livre, deixar pra lá... melhor só guardar aquela sensação boa do que um dia foi em vez de cutucar a colmeia atrás de mais mel e não receber um aceno num bar em uma segunda qualquer.


Mariana Pedrosa

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