quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Alguém?! Ninguém?!

Quinta, meu dia! \o/

Tô por aqui pra deixar esse texto ai que eu gostei muito de tê-lo escrito. 
Enjoy.
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Eu sempre me senti estranha. De certo modo hoje entendo que não era bem estranha, era diferente. E ser diferente se tornou minha busca incessante ao longo dos meus 23 anos.
Só que o meu ser diferente, no fim das contas, resume-se em ser estranha mesmo. E eu não me incomodo com isso. Mas temo dizer que são dias difíceis para os estranhos.
Em conversa informal, descobri que há um sentimento de nada circulando em nosso meio. Mas quando eu falo nosso meio, me refiro ao meu meio, o meio de estranhos. Se você for normal, pare de ler esse texto, não tem nada a ver com você.
Muito provavelmente você, normal, acha que viver é o máximo. Você curte as tendências atuais e acha que existe novidades cativantes no rádio, na TV, na internet. Você tá ansioso pela próxima balada porque “a noite é imprevisível”. E provavelmente não observou o quanto tá tudo extremamente repetitivo e deve ta me chamando de doida.
Mas nós, os estranhos, os sempre desajustados da sociedade, os excluídos, os incompreendidos... Nós nos encontramos na maior era de Preguiça Existencial do mundo!
Nunca antes na história dos estranhos uma era foi tão absurdamente monótona e desinteressante quanto esta. O número de pessoas interessantes diminuiu consideravelmente, tendo sido substituídos por pessoas que reproduzem informações em massa, que vomitam discursos prontos tentando nos fazer acreditar que são as suas opiniões.
Nesta era sombria, os estranhos vão ficando mais estranhos. E da uma vontade sem tamanho de ficar só! Porque não há mover, não há novidade, é tudo mais do mesmo.
Você já sabe qual papo vai rolar quando um carinha der em cima de você. É obvio! E ai quando você tem saco para uma aventura furtiva, você finge que acredita e que tá tipo: “ual, você pensou isso tudo sozinho?! Nossa, que interessante!” e ai mastiga, mastiga e joga o chiclete fora. Tome rumo a mais solidão.
As músicas são clichês e repetitivas. Salvo as dos cantores estranhos, que você só considera boas porque traduzem sua estranheza. E na falta de ter o que dizer, você canta.
De repente bate um cansaço e sair de casa torna-se um grande tanto faz.  Ver um filme?! Tanto faz. Ir ao barzinho da esquina?! Tanto faz.  Sábado ou domingo?! Tanto faz. Vinho ou vodka?! Tanto faz. Namoro ou amizade?! Tanto faz.
Os dias de hoje tornaram-se desinteressantes. Uma das minhas teorias gira em torno da rapidez no fluxo de informações. Você não tem tempo de digerir e as pessoas normais geralmente estão com pressa, ao contrário de nós estranhos, que vamos devagar pra não faltar amor.
Banalizou-se o amor, a dor, a solidão, a interatividade, uma conversa casual... A vida tornou-se acelerada e em preto e branco. Um refrão sem graça.
Há muita pressa, sei lá eu do que os normais estão fugindo! Só sei que sempre me senti estranha, mas nesses dias tenho me sentido mais, muito mais.
Aposto que se você for um estranho, você sente que não tem lugar fora da sua roda de amigos estranhos. E que na roda de amigos estranhos vocês confabulam muito sobre os temerosos dias de hoje.
Será que nossa raça vai se extinguir?! Será que suportaremos mais algum tempo sem anti-depressivos?! Será que nos tornaremos normais?!
São questionamentos que ficam e me atemorizam!
No mais, sigo aqui, tentando ainda achar qualquer resquício de que humanos, em sua totalidade, são interessantes. E esperando ansiosa que esses dias de nada passem.
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É isso ai, Brasil!
Vou indo aqui monografar!
Beijos!! 


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