Quinta, meu dia! \o/
Tô por aqui pra deixar esse texto ai que eu gostei muito de tê-lo escrito.
Enjoy.
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Eu
sempre me senti estranha. De certo modo hoje entendo que não era bem estranha,
era diferente. E ser diferente se tornou minha busca incessante ao longo dos
meus 23 anos.
Só
que o meu ser diferente, no fim das contas, resume-se em ser estranha mesmo. E eu
não me incomodo com isso. Mas temo dizer que são dias difíceis para os
estranhos.
Em
conversa informal, descobri que há um sentimento de nada circulando em nosso
meio. Mas quando eu falo nosso meio, me refiro ao meu meio, o meio de estranhos.
Se você for normal, pare de ler esse texto, não tem nada a ver com você.
Muito
provavelmente você, normal, acha que viver é o máximo. Você curte as tendências atuais e acha que existe novidades cativantes no rádio, na TV, na internet.
Você tá ansioso pela próxima balada porque “a noite é imprevisível”. E
provavelmente não observou o quanto tá tudo extremamente repetitivo e deve ta
me chamando de doida.
Mas
nós, os estranhos, os sempre desajustados da sociedade, os excluídos, os
incompreendidos... Nós nos encontramos na maior era de Preguiça Existencial do
mundo!
Nunca
antes na história dos estranhos uma era foi tão absurdamente monótona e
desinteressante quanto esta. O número de pessoas interessantes diminuiu
consideravelmente, tendo sido substituídos por pessoas que reproduzem
informações em massa, que vomitam discursos prontos tentando nos fazer
acreditar que são as suas opiniões.
Nesta
era sombria, os estranhos vão ficando mais estranhos. E da uma vontade sem
tamanho de ficar só! Porque não há mover, não há novidade, é tudo mais do
mesmo.
Você
já sabe qual papo vai rolar quando um carinha der em cima de você. É obvio! E ai quando você tem saco para uma aventura furtiva, você finge que acredita e
que tá tipo: “ual, você pensou isso tudo sozinho?! Nossa, que interessante!” e ai
mastiga, mastiga e joga o chiclete fora. Tome rumo a mais solidão.
As
músicas são clichês e repetitivas. Salvo as dos cantores estranhos, que você só
considera boas porque traduzem sua estranheza. E na falta de ter o que dizer,
você canta.
De
repente bate um cansaço e sair de casa torna-se um grande tanto faz. Ver um filme?! Tanto faz. Ir ao barzinho da
esquina?! Tanto faz. Sábado ou domingo?!
Tanto faz. Vinho ou vodka?! Tanto faz. Namoro ou amizade?! Tanto faz.
Os
dias de hoje tornaram-se desinteressantes. Uma das minhas teorias gira em torno
da rapidez no fluxo de informações. Você não tem tempo de digerir e as pessoas
normais geralmente estão com pressa, ao contrário de nós estranhos, que vamos
devagar pra não faltar amor.
Banalizou-se
o amor, a dor, a solidão, a interatividade, uma conversa casual... A vida tornou-se acelerada e em
preto e branco. Um refrão sem graça.
Há
muita pressa, sei lá eu do que os normais estão fugindo! Só sei que sempre me
senti estranha, mas nesses dias tenho me sentido mais, muito mais.
Aposto
que se você for um estranho, você sente que não tem lugar fora da sua roda de
amigos estranhos. E que na roda de amigos estranhos vocês confabulam muito
sobre os temerosos dias de hoje.
Será
que nossa raça vai se extinguir?! Será que suportaremos mais algum tempo sem anti-depressivos?! Será que nos tornaremos normais?!
São
questionamentos que ficam e me atemorizam!
No
mais, sigo aqui, tentando ainda achar qualquer resquício de que humanos, em sua
totalidade, são interessantes. E esperando ansiosa que esses dias de nada
passem.
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É isso ai, Brasil!
Vou indo aqui monografar!
Beijos!!
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