terça-feira, 30 de setembro de 2014

Tem uma sexta na minha terça

A grande verdade é que ninguém sabe ao certo o que é o amor. Se você jogar no Google a palavra "amor", aparecem mais de 120 milhões de resultados diferentes. Em várias línguas. 
Cada pessoa define o amor baseando-se na sua própria concepção sobre ele. Claro e obviamente, existe uma mais aceita e , consequentemente, mais difundida. Mas a grande verdade é que ninguém sabe ao certo o que é o amor. Uns dizem ser emoção. Outros, carne. Outros, carne e emoção. 
Tem teorias que dizem que amor é quando o tripé "paixão, convívio e intimidade" estão bem equilibrados. Contudo, alguns dizem que amor é desequilíbrio. 
Renato Russo disse certa vez que "se o amor é verdadeiro, não existe.sofrimento. .. não de 'arrrrgh'". Um outro alguém, que eu não sei quem, disse que amar é, necessariamente, sofrer..."quem ama, sofre. Quem.sofre, sente. Quem sente, luta. Quem luta, vence." No final das contas, se ama para vencer. Mas não disseram, por um acaso, que o.amor é desculpa de perdedor? 
Tem gente que nasceu para amar. Vinicius de Moraes, por exemplo. Um eterno amante... de várias. Não podia ver um rabo de saia que amava...e amava intensamente. E tem gente que espera O AMOR, aquele único e duradouro que a tudo crê, tudo suporta e a tudo.supera. 
A questão é que ninguém sabe ao certo o que é o amor. Talvez ele seja um pouco de tudo isso, talvez ele não seja nada disso. 
Não sei o que é o amor. Não sei o cheiro, não sei a cor. Temo que o amor já tenha passado por mim sem que eu o tenha percebido.
Temo que o amor seja, justamente, a perda do controle, aquele mesmo.que eu insisto em não abandonar. Temo que ele seja o espontâneo que eu já não me permito ser. Temo que ele, de fato, não tenha.uma definição a qual eu possa me agarra pra dizer do amor que já tive. Temo, mesmo, nunca conseguir colocar um a para separar esse te-mor.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Sobre o Amor e Sapatos

O amor é um sapato.

Sim, desses que a gente usa todo dia. E não digo isso como um subterfúgio pra dizer que eu amo sapatos, seria dolorosamente desnecessário, já que tenho em mim escancarado o vício por calçados. É só que não é disso que se trata.

O amor começa sempre de maneira inexplicável. Pra mim isso se dá porque, mesmo que exista uma explicação, qualquer pessoa de juízo a deixaria de lado em prol da mágica do não-sei-de-onde-veio-esse-sentimento. É gostoso, afinal de contas, deixar a cargo do acaso os acontecimentos que nos levam a amar alguém. Por algum motivo achamos mais bonito que seja assim do que simplesmente dizer que aconteceu porque, sim, você queria que acontecesse.

Verdade que às vezes acontece mesmo quando não queremos, mas esse assunto deixarei pra depois. Hoje o fato é que o amor acontece e, de uma forma ou de outra, ninguém sabe explicar direitinho como é. É uma dessas coisas que a gente só reconhece quando sente, aí, juventude, tarde demais pra dar pra trás.

O amor acontece.

Acontece como andar em um shopping e olhar ocasionalmente pra uma vitrine. Daí pra frente, chovem pétalas de flores quando você avista o item em questão. É um sapato maravilhoso e você começa a imaginar como seria tê-lo. Será que caberia direito em você? Mas será que combina com suas roupas, com seu estilo? Será que aquele sapato vai te abandonar e você vai sofrer? Você não sabe. Você talvez nunca descubra. Na melhor das hipóteses você testa e vê o que acontece.

É que o amor é um sapato.

Eventualmente, você decide arriscar. Entra na loja, pergunta pela sua pontuação. Às vezes ela simplesmente não existe e aquele sapato simplesmente não é pra você. Chateada, desapontada, é hora de seguir em frente e olhar outras vitrines.

Em outros casos, já com a pontuação correta nos pés também é preciso ter a coragem de dizer que “é lindo, mas gostei mais dele no seu pé do que no meu”. Sim, é a mesma lógica da grama: o amor (sapato) do vizinho parece sempre mais bonito, o que não significa que, de fato, ele sirva pra você.

Mas em momentos raros e realmente especiais, aquilo que você viu na vitrine é exatamente o que você vê nos seus pés. Aquela pessoa, bem-dita seja!, é exatamente como você imaginou que seria. Depois de algumas voltas, nenhum calo. Depois de um dia inteiro juntos, ele não te cansa e quanto mais o tempo passa, mais você parece gostar, mais sua vida parece combinar com aquele sapato como não poderia nunca combinar com nenhum outro.

Como era de se esperar e como é tudo na vida, depois de um tempo sapatos perdem a graça. Os menos persistentes desgastam rápido, furam a sola e logo você começa a reclamar do dinheiro jogado fora. Mas é um risco que se corre, amando ou comprando sapatos. Você paga pra ter antes de saber se quer ou não continuar tendo por longos anos.

Às vezes o preço simplesmente não vale a pena, é hora, então, de, outra vez, tomar vergonha na cara e continuar a procura pelo par ideal. Talvez ele não exista, realmente, mas esse é outro risco que se corre.

Eu, no entanto, acordei esperançosa. Acordei acreditando que vale até a pena suportar um calo ou outro quando você se apaixona. Vale suportar os anos e o desconforto do começo quando você finalmente encontra o sapato que queria. Depois de alguns dias, um pouco de lama e de sol, ou poeira, ou longas caminhadas, ainda faz sentido olhar pro sapato e gostar dele mesmo assim. 

E é por isso que eu digo que o amor é um sapato. Cabe a cada um escolher o que lhe agrada, pagar por ele o preço que é devido, suportar algum desconforto até que amacie e, por fim, dar a sorte de encontrar um par ideal. Um que caiba direitinho em você.

Pra Mariana Pedrosa, 
que é igualmente louca por sapatos.