sexta-feira, 17 de junho de 2016

Parte I

Fiz sinal para o motorista, o ônibus parou e eu subi. Que calor está fazendo hoje, ainda bem que meu cabelo não está tão grande, mesmo com ele curto e preso ainda dá uma agonia ter tanto cabelo na cabeça. Foda-se! Não tem lugar para sentar, vou ficar o trajeto inteiro segurando nessas barras, imagina quanto homem coçou o saco e depois segurou, sem limpar as mãos, exatamente onde estou segurando agora...não pensa nisso, garota. Que calor!
Meu cabelo está tão curto que não consigo prende-lo por inteiro, tem esses cabelos na região da nuca que sempre fogem do elástico, os cortei curto demais naquele dia de fevereiro. Não dá para esquecer esse dia, falei para os meus pais que queria fazer um corte mais radical, aquele tipo joãozinho, minha mãe deu piti, vê se pode. Me senti desafiada, como é que pode ela querer controlar até meu corte de cabelo?! Pensei em várias coisas, me enchi de ódio, peguei uma tesoura cega e cortei. Usei essa região da nuca que fica escondida pra testar, cortei tanto que parecia que alguém tinha brincado com a máquina 3 e feito vários buracos irregulares, ficou horrível. Mas tudo bem, tem essa outra parte que não tinha cortado muito e que poderia muito bem esconder, meu cabelo cresce rápido.
Fui para sala exibir o cabelo cortado, não sei bem o que eu tinha na cabeça aquele dia, porque a porcaria de um corte de cabelo tinha mexido tanto comigo, merda aquele dia foi ridículo, principalmente pelo que aconteceu depois, antes de dá meia noite, aquela ligação do hospital para o meu pai avisando que meu tio morreu... Lembrei das três vezes que o tinha visto esse ano, a primeira foi no aniversário da neta dele, pedi benção, mas falei pouco com ele, que comentou que eu e minha irmã estávamos parecidas, ambas usando vestido preto, e eu ri, mais por cordialidade do que por vontade. A segunda vez ele estava deitado num leito na uti, de olhos abertos, mas sem expressividade nenhuma, respirando por aparelhos e usando fralda, tinha emagrecido muito, ele sempre foi um homem alto e corpulento, ele ali tão indefeso deitado no leito parecia surreal, foi bem triste, queria que ele falasse alguma coisa, será que ele ainda estava ali? Não sei.
A terceira vez foi a última, de uma vida inteira.. que droga, ainda choveu no enterro, não bastava o estado de espirito estar abalado, ainda beti o queixo de frio. Tem coisas que só ficam boas em filmes.
Desde esse dia fico com medo de algo acontecer, e mais alguém morrer e fim.
 Detesto quando esses cabelos na nuca servem com Testrálios, me lembrando da morte, e que essa pode se anunciar a qualquer hora até mesmo quando estamos absortos em questões ridiculamente banai...Caralho! Perdi minha parada, vou ter que descer a ladeira nesse sol quente, ainda bem que para baixo todo santo ajuda.

Tayná.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Depressão pós-livro inspira

Terminei de ler o livro O Velho e o Mar do Ernest Hemingway, depois fiquei pensando sobre a leitura e senti uma vontade danada de falar sobre isso, esbocei até o começo de uma critica literária, com introdução e resumo do livro, bem arrumadinho, só que no meio do processo percebi que sofria de depressão pós-livro, e que queria mesmo colocar para fora  algo muito subjetivo. Resolvi acessar o youtube, procurar O Velho e o Mar- Rubel,escutar a música e escrever pensando no personagem do livro, e saiu isso aqui:

O VELHO
A presença da saudade é a ausência.
é vazio no armário, a lembrança.
Querer ter perto o distante,
É por fim, e solidão.
Ver adiante o passado,
É caminhar e parar
caminhar e parar.
É seguir sabendo que tem
uma falta
que ficou para trás
em outras vidas
não mais nessa.


E O MAR
O pescador que foi ao mar,
jogar a linha, anzol.
Entre as águas, seja calmaria
ou tempestade,
ele olha para a cidade
a lembrar das coisas que deixou lá.

Tayná.