terça-feira, 29 de abril de 2014

La Felicità È Un Gelato



Existem poucos prazeres na vida. Sim, muito poucos. Contados a dedo, pingados a gato, conta gota de café.

Parece triste e sádico pensar nisso, mas certamente é possível concordar que, quantitativamente, a maior parte da vida é composta apenas de nada. Talvez seja feita da espera, da ansiedade das malas prontas, do desespero de achar que TEM que se fazer alguma coisa. Sempre pensando no futuro, ainda que seja daqui a pouco. Estamos cansados. Cansados o tempo todo de estarmos adiante, acabando por não estar em lugar nenhum.

A maior parte da vida é montada no sentimento de que estamos esperando alguma coisa. E estamos mesmo, apesar de que a maioria das pessoas mal sabe disso.

Mas sim, existem poucos prazeres na vida. E há que se pensar que é bem mais legal ser feliz acompanhado. Um amigo, um amor, uma verdade a que se apegar, um colo pra deitar. Isso faz parte, mas não é bem disso que se trata. Não hoje.

Hoje a felicidade resolveu me aparecer como o brilho do sol refletido na poeira. O brilho que só eu notei, porque só eu estava olhando. Há muita metafísica em se pensar em nada, me disse Pessoa. Eu diria também que há muita metafísica em ficar sozinho. Sentada num saguão poeirento de um aeroporto no meio do caminho, malas aos pés, livros à mão, me dei conta de que, como um susto, estava rindo para o meu café. Me surpreendi feliz e suja de creme, como num conto infantil.

Sorri porque havia me dado conta de que um dos poucos e pequenos prazeres da vida consiste em simplesmente estar. Estar onde estamos, ser o que somos, ler o que queremos.
Sentada, sozinha, digitando em um celular (coisa da qual, aliás, nem gosto). Estive feliz apenas porque estava lá. Estava sentada. Estava sozinha e estava digitando no celular. Doce ironia! Quase tão doce quanto o creme no canto da minha boca. Doce como voltar pra casa.


Li em uma placa que "A Felicidade é Um Sorvete". Achei maravilhoso. Agora aqui, sentada, sozinha, digitando, decidi: se a felicidade é um sorvete, vou estar feliz antes que derreta.


Especialmente dedicado ao meu amigo
Bruno Leonardo,
que compartilha minhas ideias sobre a
Felicidade

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Partida

Oi pessoas,
Cá estou para, depois de um longo e tenebroso inverno, postar alguma coisinha para vocês.
Tenho muitas desculpas acumuladas, no entanto não irei ocupar esse espaço glorioso com justificativas e pedidos de perdão. Afinal de contas saudade se aplaca com amor e churros- alguém que lê isso aqui pode me dar um churros um dia? Obrigada desde ja.
Para vocês a última coisa (coisa, coisa, coisa) que escrevi em uma madrugada qualquer. A palavra OBSOLETO é tão legal.


Obsoleto!
Como um 
objeto 
jogado 
no centro
do tabuleiro
no fim 
de uma 
partida 
arriscada.
Eu,
que ja fui
peça rara.
Agora sem graça
não tenho função.
.........................
Ninguém me aconselhou
que na partida do amor
é melhor ser jogador
que peça.
Assim dou good good bye bye, good good bye! 
Até qualquer quarta-feira, beijinhos.
Tayná Pimenta Mendes.